Receio quanto ao futuro
Na Ecco, fábrica de calçado de Santa Maria da Feira, são muitas as dúvidas quanto ao futuro. Depois de, no início do ano, a empresa se ter livrado de 200 trabalhadores, mantém-se a incerteza. Fernanda Moreira, delegada sindical, confessa que os trabalhadores estão «muito receosos em relação ao futuro». Até porque, lembra, não têm garantias por parte da administração, que apenas diz pretender ficar em Portugal pelo «máximo de tempo possível». E não diz mais nada.
Na Ecco, tudo se fez de forma «limpa»: fechar algumas secções da empresa, pagando as respectivas indemnizações e direitos, acrescidos de mais algum dinheiro. O objectivo era sair o mais rapidamente possível. Já no ano passado, muitos tinham saído. Também aqui, a empresa teve a lei como capa: todos os contratados a prazo cujos vínculos cessaram até Janeiro não viram renovados os seus contratos. A imoralidade é muita, mas imoral é também a lei, que admite semelhantes práticas.
Mas o facto de as «rescisões» terem sido pagas acima do que a lei prevê não é grande consolo. Segundo Fernanda Moreira, «há muita dificuldade em voltar a trabalhar». Algumas trabalhadoras conseguiram emprego numas pequenas empresas. Mas, assegura a sindicalista, será por pouco tempo, «até se acabarem as actuais encomendas». Além disso, estas empresas – que funcionam, muitas delas, em garagens sem quaisquer condições – pagam mal. «Na Ecco, traz-se para casa, em média, entre 110 e 120 contos. Nessas empresas, traz-se, no máximo 70», denuncia.
Quem não conseguir empregar-se, resta-lhes o subsídio de desemprego. «Neste momento, até compensa mais estar no fundo de desemprego do que a trabalhar numa dessas empresas», afirma Fernanda Moreira. Ganha-se mais e gasta-se menos. «É ridículo, mas é verdade», lamenta. Mas não há grandes alternativas. O desemprego aumenta e o «fim do mês» não estica. E com 70 contos não se vive, sobrevive-se. Na melhor das hipóteses.
Na Ecco, tudo se fez de forma «limpa»: fechar algumas secções da empresa, pagando as respectivas indemnizações e direitos, acrescidos de mais algum dinheiro. O objectivo era sair o mais rapidamente possível. Já no ano passado, muitos tinham saído. Também aqui, a empresa teve a lei como capa: todos os contratados a prazo cujos vínculos cessaram até Janeiro não viram renovados os seus contratos. A imoralidade é muita, mas imoral é também a lei, que admite semelhantes práticas.
Mas o facto de as «rescisões» terem sido pagas acima do que a lei prevê não é grande consolo. Segundo Fernanda Moreira, «há muita dificuldade em voltar a trabalhar». Algumas trabalhadoras conseguiram emprego numas pequenas empresas. Mas, assegura a sindicalista, será por pouco tempo, «até se acabarem as actuais encomendas». Além disso, estas empresas – que funcionam, muitas delas, em garagens sem quaisquer condições – pagam mal. «Na Ecco, traz-se para casa, em média, entre 110 e 120 contos. Nessas empresas, traz-se, no máximo 70», denuncia.
Quem não conseguir empregar-se, resta-lhes o subsídio de desemprego. «Neste momento, até compensa mais estar no fundo de desemprego do que a trabalhar numa dessas empresas», afirma Fernanda Moreira. Ganha-se mais e gasta-se menos. «É ridículo, mas é verdade», lamenta. Mas não há grandes alternativas. O desemprego aumenta e o «fim do mês» não estica. E com 70 contos não se vive, sobrevive-se. Na melhor das hipóteses.