Mulheres e quadros

A Confederação Portuguesa de Quadros Técnicos e Científicos promoveu no dia 31 de Maio o encontro «A Mulher Quadro Técnico e Científico – Problemas e Desafios», procurando proporcionar um espaço de reflexão sindical sobre os problemas que se deparam a estas trabalhadoras por conta de outrem, desafios que enfrentam e formas de intervenção.
A jornada decorreu num hotel de Lisboa e mobilizou cerca de seis de dezenas de participantes,
entre representantes de estruturas sindicais (a USL/CGTP, a Interjovem, o STAL, o STML, o CESP, o SPGL o SPN, o STFPSA, o SEP, o Sinttav), do MDM e dos grupos parlamentares do PCP e do PEV, e várias convidadas a título pessoal.
Nas intervenções, refere uma nota da confederação, foram abordadas as disparidades entre quadros femininos e masculinos posicionados nas mesmas carreiras, as desigualdades no acesso e desempenho de funções de direcção e chefia, as situações de discriminação em matéria salarial e de recrutamento, entre outras questões.
«O nível de instrução, por si só, não é suficiente para promover a igualdade entre homens e mulheres», alertou a socióloga Almira Santos, recordando que «os homens ainda dominam na sociedade, em todas as posições de poder, e as perspectivas masculinas são, igualmente, predominantes na hierarquia institucionalizada do saber».
Elsa Pedro, economista, referiu que, «segundo dados fornecidos pelos últimos Censos, 12,3 por cento dos desempregados (41 804) são indivíduos com formação académica de nível superior», dos quais «25 901 são mulheres, valor que representa 61,96 por cento do total». Por outro lado, «62,7 por cento dos desempregados com formação académica superior concentram-se na faixa etária dos 20 aos 29 anos» e «neste conjunto, 16 900 são mulheres, isto é, 64,5 por cento».
A situação de «milhares de docentes desempregados, que aguardam paciente e dolorosamente a oportunidade de uma colocação no sistema», foi denunciada por Júlia Vale. Esta professora responsabilizou os sucessivos ministérios da Educação por terem entravado o processo de regulamentação do Estatuto da Carreira Docente, que prevê a existência de incentivos à fixação dos professores nas zonas consideradas mais desfavorecidas.
Alina Sousa apontou «um sério constrangimento ao exercício de direitos elementares, como o de maternidade»: «a natureza do trabalho das enfermeiras, em especial o trabalho por turnos, associado à sub-dotação nos serviços, fruto não só da enorme carência destes profissionais, mas também de medidas cegas de contenção de despesas».
No encerramento dos trabalhos, o presidente da confederação sublinhou a necessidade de uma «maior disponibilidade na procura de soluções para os problemas individuais e colectivos, inscrevendo-se e intervindo na actividade sindical, em prol de um estatuto profissional mais digno».


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