O Casino
A gente já sabia que a economia é uma coisa muito importante. E que está mesmo na base das relações sociais, determina o desenvolvimento humano e a sua história. Que as suas manifestações mais marcantes influenciam mesmo o modo como se vê o mundo.
Isto a propósito de um fenómeno, cada vez mais falado por uns poucos, em jeito de alerta, e calado por outros, a fingirem que o fenómeno é pura imaginação. E que é a chamada economia de casino. A expressão pretende designar a economia e as transacções a ela ligadas que não se baseiam na produção de bens mas na especulação. O fenómeno em si não é novo e, por muito virtual que seja, é capaz de destruir o trabalho de gerações, a poupança de trabalhadores e o lucro capitalista, num abrir e fechar de bolsas. O crash de Nova Iorque, acontecido há mais de sete décadas, que veio revelar os perigos da especulação, zune ainda na consciência colectiva como um sinal de perigo, por muitos resguardos e travões que entretanto hajam sido inventados para precaver um desastre assim.
Mas o certo é que, fortemente impulsionada pela tecnologia informática, pelo instantâneo das transacções e, sobretudo, pela globalização capitalista que actua com mãos livres em todo o mundo, a economia de casino passou a ditar o modo de relacionamento económico, a determinar um modelo de desenvolvimento(?), a impor uma visão do mundo.
Provavelmente é por isso que o «Casino de Lisboa» se transformou no quase único projecto do presidente da Câmara de Lisboa. Quando há eleições autárquicas, desde há muito que o «caso» do Parque Mayer se torna cavalo de batalha dos candidatos da direita. Reúnem em almoço de promessas alguns velhos actores seduzidos ou tontos ou oportunistas e lá vem a declaração de que o Parque vai tornar à vida, ressuscitando velhas formas e antigos costumes, como se a «revista à portuguesa» pudesse surdir de uma sociedade outra que aquela em que vicejou. Parecia que só o facto de a esquerda se haver mantido à frente da CML teria impedido tal ressurreição.
Mas logo reparámos que o que Santana queria era construir um casino. Não podia ser no Parque? Então ia para o Cais do Sodré. Também não? Então vai para o Jardim do Tabaco. E, nesta corrida, se tivermos em conta as ambições de Santana e o estado da Nação, ainda acaba em Belém. Esta aliança de direita ficava satisfeitíssima. Com uma maioria, um governo e um casino.
Isto a propósito de um fenómeno, cada vez mais falado por uns poucos, em jeito de alerta, e calado por outros, a fingirem que o fenómeno é pura imaginação. E que é a chamada economia de casino. A expressão pretende designar a economia e as transacções a ela ligadas que não se baseiam na produção de bens mas na especulação. O fenómeno em si não é novo e, por muito virtual que seja, é capaz de destruir o trabalho de gerações, a poupança de trabalhadores e o lucro capitalista, num abrir e fechar de bolsas. O crash de Nova Iorque, acontecido há mais de sete décadas, que veio revelar os perigos da especulação, zune ainda na consciência colectiva como um sinal de perigo, por muitos resguardos e travões que entretanto hajam sido inventados para precaver um desastre assim.
Mas o certo é que, fortemente impulsionada pela tecnologia informática, pelo instantâneo das transacções e, sobretudo, pela globalização capitalista que actua com mãos livres em todo o mundo, a economia de casino passou a ditar o modo de relacionamento económico, a determinar um modelo de desenvolvimento(?), a impor uma visão do mundo.
Provavelmente é por isso que o «Casino de Lisboa» se transformou no quase único projecto do presidente da Câmara de Lisboa. Quando há eleições autárquicas, desde há muito que o «caso» do Parque Mayer se torna cavalo de batalha dos candidatos da direita. Reúnem em almoço de promessas alguns velhos actores seduzidos ou tontos ou oportunistas e lá vem a declaração de que o Parque vai tornar à vida, ressuscitando velhas formas e antigos costumes, como se a «revista à portuguesa» pudesse surdir de uma sociedade outra que aquela em que vicejou. Parecia que só o facto de a esquerda se haver mantido à frente da CML teria impedido tal ressurreição.
Mas logo reparámos que o que Santana queria era construir um casino. Não podia ser no Parque? Então ia para o Cais do Sodré. Também não? Então vai para o Jardim do Tabaco. E, nesta corrida, se tivermos em conta as ambições de Santana e o estado da Nação, ainda acaba em Belém. Esta aliança de direita ficava satisfeitíssima. Com uma maioria, um governo e um casino.