A mentira e os seus cúmplices
O subsecretário Americano da Defesa Paul Wolfowit veio publicamente confessar que a posse de armas de destruição maciça foi apenas um pretexto para justificar a agressão ao Iraque. A confissão surpreende não pelo seu conteúdo mas por outras razões: pela clareza com que é assumida, pela justificação com que é apresentada e por quem a faz. Poucos acreditavam que a acção norte americana no Iraque não estivesse associada a objectivos estratégicos de domínio político e militar na região e de controlo dos recursos económicos do país. Mas ver um dos principais teorizadores desta guerra de agressão a assumi-lo é sem dúvida significativo.
Confessada que está a razão da agressão restaria agora que a corte de serviçais e de acéfalos apoiantes — sejam eles governantes, comentadores ou jornalistas— que se arrastaram perante a Administração Bush reconhecessem agora ter sido cúmplices de uma agressão suportada na mentira. A expectativa que isso possa suceder não é grande, desde logo porque cada um sabe ao que ía, o que defendia e apoiava. O que indigna é o silêncio de alguns perante a prova de que agiram em função de um embuste, que o seu envolvimento se alicerçou num truque para melhor enganar a opinião pública e amarrar os respectivos países aos interesses hegemónicos dos Estados Unidos. Ou a ousadia com que alguns persistem na defesa da Administração Bush. O editorial do director do Público é testemunho da subserviência e do papel que parece estar atribuído e reservado a alguns, um pouco por todo o mundo, para sustentar as posições e os objectivos norte americanos. Argumentar em defesa do Subsecretário de Estado Americano que a sua afirmação foi retirada do contexto e que este se resumiu a afirmar que o argumento das armas de destruição maciça era aquele, entre outros, que mais facilmente uniria todos para a cruzada é surpreendente. Registe-se, entretanto, da prosa a indignação com que o director do Publico reage às descontextualizações de que o senhor Paul Wolfowit foi vitima na Comunicação Social conhecido que é o «igor»a que o Público nos habituou em matéria de manipulação, falta de isenção e ostensiva deturpação da actividade de forças políticas e sociais com que o jornal não simpatiza. Agora que os inspectores das Nações Unidas foram substituídos por agentes norte americanos e britânicos na busca e localização das armas de destruição maciça alegre-se o director do Público porque dentro de dias poderá trazer para primeira página a notícia que lhe aliviará a consciência e a sua cumplicidade.
Confessada que está a razão da agressão restaria agora que a corte de serviçais e de acéfalos apoiantes — sejam eles governantes, comentadores ou jornalistas— que se arrastaram perante a Administração Bush reconhecessem agora ter sido cúmplices de uma agressão suportada na mentira. A expectativa que isso possa suceder não é grande, desde logo porque cada um sabe ao que ía, o que defendia e apoiava. O que indigna é o silêncio de alguns perante a prova de que agiram em função de um embuste, que o seu envolvimento se alicerçou num truque para melhor enganar a opinião pública e amarrar os respectivos países aos interesses hegemónicos dos Estados Unidos. Ou a ousadia com que alguns persistem na defesa da Administração Bush. O editorial do director do Público é testemunho da subserviência e do papel que parece estar atribuído e reservado a alguns, um pouco por todo o mundo, para sustentar as posições e os objectivos norte americanos. Argumentar em defesa do Subsecretário de Estado Americano que a sua afirmação foi retirada do contexto e que este se resumiu a afirmar que o argumento das armas de destruição maciça era aquele, entre outros, que mais facilmente uniria todos para a cruzada é surpreendente. Registe-se, entretanto, da prosa a indignação com que o director do Publico reage às descontextualizações de que o senhor Paul Wolfowit foi vitima na Comunicação Social conhecido que é o «igor»a que o Público nos habituou em matéria de manipulação, falta de isenção e ostensiva deturpação da actividade de forças políticas e sociais com que o jornal não simpatiza. Agora que os inspectores das Nações Unidas foram substituídos por agentes norte americanos e britânicos na busca e localização das armas de destruição maciça alegre-se o director do Público porque dentro de dias poderá trazer para primeira página a notícia que lhe aliviará a consciência e a sua cumplicidade.