O vulcão
Este castelo de cartas construído sobre a mentira ruirá
Nos últimos dias assistimos a uma barragem de notícias denunciado a montanha de mentiras com que os governantes imperialistas forçaram a agressão ao Iraque. As denúncias são merecidas e bem-vindas. Mas não deixa de ser digno de registo que sejam frequentemente provenientes de círculos do Sistema nos dois lados do Atlântico.
Na Grã Bretanha, a imprensa denunciou que fora o gabinete de Blair a modificar informações dos serviços secretos britânicos para tornar as acusações contra o Iraque mais «escaldantes». O chefe parlamentar Trabalhista, John Reid, acusou publicamente «elementos à solta [rogue elements] dos Serviços Secretos de andarem a espalhar desinformação» para comprometer Blair (BBC, 4.6.03). O jornal escocês Sunday Herald (8.6.03), escreveu que desde 1991 que a Secreta Militar britânica conduz uma «operação suja» (a Operação Rockingham), visando «produzir informação enganadora de que Saddam possuia armas de destruição em massa, de forma a dar ao Reino Unido desculpas justificativas para uma guerra contra o Iraque». E refere um análogo «Gabinete de Planos Especiais (OSP) no Pentágono norte-americano», criado pelo Ministro da Defesa, Rumsfeld. «Num ataque arrasador contra o OSP, o ex-agente da CIA Larry Johnson disse ao Sunday Herald que o OSP era “perigosa para a Segurança Nacional dos EUA e uma ameaça para a Paz mundial”» (sic!). Em Maio, colegas de Johnson escreveram uma carta a Bush, exprimindo «profunda preocupação pelo crescente descrédito e cinismo com que muitos, incluíndo profissionais de longa data dos serviços de informação [...] encaram as informações citadas por si e pelos seus principais conselheiros para justificar a guerra contra o Iraque». Nessa carta atacam directamente o Ministro e Vice-Ministro da Defesa dos EUA, Rumsfeld e Wolfowitz.
Quando se zangam as comadres, vão-se sabendo mais algumas verdades... Mas porque se zangam as comadres? Quando este tipo de críticas ganha, na comunicação social de regime, a expressão e o relevo a que assistimos por estes dias, podemos estar certos que algo profundo se está a passar. A verdade é que, por debaixo da fachada dos apertos de mão públicos nos actos de Bush, na Cimeira dos G8, ou na vergonhosa Resolução do CS da ONU entregando o petróleo do Iraque às potências ocupantes, avolumam-se os sinais de um vulcão em estado de ebulição. A crise económica ameaça explodir e degenerar num salve-se quem puder pela sobrevivência de cada pólo capitalista. As cada vez mais frequentes mortes de soldados ocupantes no Iraque e Afeganistão estão a transformar as aventuras militares imperialistas na famosa ratoeira sem saída. Os trabalhadores europeus estão a descer à rua. A América Latina está a ferver. A arrogância imperial dos EUA é chocante. E quando se destróiem os mitos sobre os quais se baseiam o poder e a dominação de classes, e se mostra a verdade nua e crua do lucro e da dominação como única «razão de Estado», as crises económicas e políticas ameaçam transformar-se em crises revolucionárias. Quem o afirma é, nada mais, nada menos, que o Decano do Congresso dos Estados Unidos, o octagenário Senador Robert Byrd, que num discurso ao Senado (21.5.03), criticando as mentiras e guerras do seu governo, termina afirmando: «o povo americano está, infelizmente, habituado à trapaça e à chicana políticas por parte dos seus governantes. Tolera-a pacientemente até um certo ponto. Mas existe um limite [...] e surgirá, tingido de raiva. [...] Mais cedo, ou mais tarde, como sempre, a verdade virá ao de cima. E quando isso acontecer, este castelo de cartas construído sobre a mentira ruirá».
Na Grã Bretanha, a imprensa denunciou que fora o gabinete de Blair a modificar informações dos serviços secretos britânicos para tornar as acusações contra o Iraque mais «escaldantes». O chefe parlamentar Trabalhista, John Reid, acusou publicamente «elementos à solta [rogue elements] dos Serviços Secretos de andarem a espalhar desinformação» para comprometer Blair (BBC, 4.6.03). O jornal escocês Sunday Herald (8.6.03), escreveu que desde 1991 que a Secreta Militar britânica conduz uma «operação suja» (a Operação Rockingham), visando «produzir informação enganadora de que Saddam possuia armas de destruição em massa, de forma a dar ao Reino Unido desculpas justificativas para uma guerra contra o Iraque». E refere um análogo «Gabinete de Planos Especiais (OSP) no Pentágono norte-americano», criado pelo Ministro da Defesa, Rumsfeld. «Num ataque arrasador contra o OSP, o ex-agente da CIA Larry Johnson disse ao Sunday Herald que o OSP era “perigosa para a Segurança Nacional dos EUA e uma ameaça para a Paz mundial”» (sic!). Em Maio, colegas de Johnson escreveram uma carta a Bush, exprimindo «profunda preocupação pelo crescente descrédito e cinismo com que muitos, incluíndo profissionais de longa data dos serviços de informação [...] encaram as informações citadas por si e pelos seus principais conselheiros para justificar a guerra contra o Iraque». Nessa carta atacam directamente o Ministro e Vice-Ministro da Defesa dos EUA, Rumsfeld e Wolfowitz.
Quando se zangam as comadres, vão-se sabendo mais algumas verdades... Mas porque se zangam as comadres? Quando este tipo de críticas ganha, na comunicação social de regime, a expressão e o relevo a que assistimos por estes dias, podemos estar certos que algo profundo se está a passar. A verdade é que, por debaixo da fachada dos apertos de mão públicos nos actos de Bush, na Cimeira dos G8, ou na vergonhosa Resolução do CS da ONU entregando o petróleo do Iraque às potências ocupantes, avolumam-se os sinais de um vulcão em estado de ebulição. A crise económica ameaça explodir e degenerar num salve-se quem puder pela sobrevivência de cada pólo capitalista. As cada vez mais frequentes mortes de soldados ocupantes no Iraque e Afeganistão estão a transformar as aventuras militares imperialistas na famosa ratoeira sem saída. Os trabalhadores europeus estão a descer à rua. A América Latina está a ferver. A arrogância imperial dos EUA é chocante. E quando se destróiem os mitos sobre os quais se baseiam o poder e a dominação de classes, e se mostra a verdade nua e crua do lucro e da dominação como única «razão de Estado», as crises económicas e políticas ameaçam transformar-se em crises revolucionárias. Quem o afirma é, nada mais, nada menos, que o Decano do Congresso dos Estados Unidos, o octagenário Senador Robert Byrd, que num discurso ao Senado (21.5.03), criticando as mentiras e guerras do seu governo, termina afirmando: «o povo americano está, infelizmente, habituado à trapaça e à chicana políticas por parte dos seus governantes. Tolera-a pacientemente até um certo ponto. Mas existe um limite [...] e surgirá, tingido de raiva. [...] Mais cedo, ou mais tarde, como sempre, a verdade virá ao de cima. E quando isso acontecer, este castelo de cartas construído sobre a mentira ruirá».