Pelo pão, pelo trabalho e pela paz
Os trabalhadores da administração pública manifestaram-se no passado dia 11 contra a política laboral e social do Governo e prometem continuar.
A campanha contra os trabalhadores serve pretensões privatizadoras
«É preciso, é urgente, uma política diferente», gritaram, ao longo do espaço que medeia entre o Marquês de Pombal e a residência oficial do primeiro-ministro, os cerca de 10 mil trabalhadores da administração pública que se deslocaram a Lisboa no passado dia 11 para participar na manifestação nacional do sector. E vieram de todos os pontos do País e profissões: administração central e local, da saúde à educação. À parte os problemas específicos de cada um destes sectores, as grandes reivindicações eram comuns. Todos, sem excepção, contestam a imposição do abaixamento salarial, a perda dos direitos de aposentação e do vínculo de emprego público, as privatizações, o pacote laboral e a guerra. Em suma, lutava-se «pelo pão, pelo trabalho e pela paz», como diz o hino da Intersindical – escrito há tantos anos mas tão tristemente actual.
Ao longo de todo o percurso, os trabalhadores deram largas à sua indignação. Uns traziam um estendal com tangas estendidas, outros faziam-se acompanhar por um conjunto de ovos de Páscoa, cada um contendo uma exigência dos trabalhadores ao Governo: salários, carreiras, trabalho, suplemento de risco e serviços públicos. Cada sector empunhava uma faixa onde dizia de suas razões, gerais ou específicas.
Os trabalhadores das escolas e jardins de infância do sector público exigem a implementação do decreto-lei 515/99, sem as alterações que a maioria de direita introduziu, e que, na sua opinião, o desfiguram. Neste processo, os trabalhadores apenas foram informados das alterações feitas, não tendo havido espaço para qualquer discussão ou negociação. «O nosso trabalho merece respeito», consideram.
Vale a pena lutar
Chegados ao final do percurso, numa rua próxima da residência oficial do primeiro-ministro, os manifestantes escutaram atentamente as intervenções dos dirigentes sindicais. Francisco Brás, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), foi o primeiro a usar da palavra. Na sua intervenção, o sindicalista saudou a adesão de tantos trabalhadores à manifestação nacional, «numa fase difícil da luta». Em seguida, Francisco Brás apelidou o Governo de subserviente para com os mais poderosos, quer com os governos dos países que fazem a guerra, quer com o grande capital, no pacote laboral e nas privatizações. «Só têm coragem para atacar os mais fracos e os mais desprotegidos», denuncia. O presidente do STAL alertou depois para os interesses dos «falcões da água», que se estão a instalar e que pretendem privatizar a recolha, distribuição e tratamento da água.
Paulo Trindade, da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, considerou simbólico a manifestação ser realizada no dia seguinte à aprovação do pacote laboral pela maioria parlamentar de direita. O mesmo pacote laboral, lembrou, que o ministro do Trabalho, em Outubro, afirmou não ser extensível aos trabalhadores da administração pública e que a ministra das Finanças em Janeiro veio desmentir. «Hoje, no dia seguinte a esta votação, está aqui o sentir dos trabalhadores, está aqui o nosso descontentamento», afirmou. Apesar de o pacote já estar aprovado, Paulo Trindade afastou qualquer hipótese de abrandar a luta, pois esta «vale sempre a pena». À luta se deve, assevera, o facto de não haver ainda nenhum trabalhador nas listas dos supranumerários, apesar de esta medida estar já aprovada há meses. Com o código do trabalho, terá de ser da mesma maneira.
A finalizar, o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, alertou para os «tubarões» que, aproveitando a campanha contra os trabalhadores e as funções sociais do Estado, querem deitar a mão às riquezas, por intermédio das privatizações. «A luta é dura mas vai continuar», afirmou.
Ao longo de todo o percurso, os trabalhadores deram largas à sua indignação. Uns traziam um estendal com tangas estendidas, outros faziam-se acompanhar por um conjunto de ovos de Páscoa, cada um contendo uma exigência dos trabalhadores ao Governo: salários, carreiras, trabalho, suplemento de risco e serviços públicos. Cada sector empunhava uma faixa onde dizia de suas razões, gerais ou específicas.
Os trabalhadores das escolas e jardins de infância do sector público exigem a implementação do decreto-lei 515/99, sem as alterações que a maioria de direita introduziu, e que, na sua opinião, o desfiguram. Neste processo, os trabalhadores apenas foram informados das alterações feitas, não tendo havido espaço para qualquer discussão ou negociação. «O nosso trabalho merece respeito», consideram.
Vale a pena lutar
Chegados ao final do percurso, numa rua próxima da residência oficial do primeiro-ministro, os manifestantes escutaram atentamente as intervenções dos dirigentes sindicais. Francisco Brás, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), foi o primeiro a usar da palavra. Na sua intervenção, o sindicalista saudou a adesão de tantos trabalhadores à manifestação nacional, «numa fase difícil da luta». Em seguida, Francisco Brás apelidou o Governo de subserviente para com os mais poderosos, quer com os governos dos países que fazem a guerra, quer com o grande capital, no pacote laboral e nas privatizações. «Só têm coragem para atacar os mais fracos e os mais desprotegidos», denuncia. O presidente do STAL alertou depois para os interesses dos «falcões da água», que se estão a instalar e que pretendem privatizar a recolha, distribuição e tratamento da água.
Paulo Trindade, da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, considerou simbólico a manifestação ser realizada no dia seguinte à aprovação do pacote laboral pela maioria parlamentar de direita. O mesmo pacote laboral, lembrou, que o ministro do Trabalho, em Outubro, afirmou não ser extensível aos trabalhadores da administração pública e que a ministra das Finanças em Janeiro veio desmentir. «Hoje, no dia seguinte a esta votação, está aqui o sentir dos trabalhadores, está aqui o nosso descontentamento», afirmou. Apesar de o pacote já estar aprovado, Paulo Trindade afastou qualquer hipótese de abrandar a luta, pois esta «vale sempre a pena». À luta se deve, assevera, o facto de não haver ainda nenhum trabalhador nas listas dos supranumerários, apesar de esta medida estar já aprovada há meses. Com o código do trabalho, terá de ser da mesma maneira.
A finalizar, o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, alertou para os «tubarões» que, aproveitando a campanha contra os trabalhadores e as funções sociais do Estado, querem deitar a mão às riquezas, por intermédio das privatizações. «A luta é dura mas vai continuar», afirmou.