Empresas de transporte desrespeitam direitos

Os trabalhadores do sector dos transportes de passageiros estão a ser alvo de uma forte ofensiva aos seus salários e direitos. No Metro de Lisboa, o Conselho Geral encerrou as negociações do acordo de empresa com a imposição, por acto de gestão, de 1,5 por cento de aumento. Este valor constituía a proposta do patronato na mesa das negociações, que os sindicatos haviam recusado.
Como razão para o encerramento, o Conselho Geral considera nada poder fazer face ao Governo, pois a empresa não tem autonomia financeira e terá, por isso, de se submeter. A FESTRU – federação dos sindicatos do sector dos transportes rodoviários e urbanos –, considera que o Conselho Geral se refugia «atrás das decisões públicas do Governo para justificar o fecho das negociações quando todos sabemos que há matéria, na proposta sindical, possível de ser negociada fora do âmbito das directrizes governamentais», como aliás já aconteceu antes. A FESTRU entende que deixar a empresa aplicar o acto de gestão é abrir a porta para uma actualização salarial inferior. Numa primeira fase, avisa, os salários ficariam congelados para depois se irem os direitos. No início de Abril, os trabalhadores realizaram um conjunto de plenários para analisar a situação e decidir sobre acções a tomar.
Na Carris, o Conselho de Administração «continua a utilizar um espaço que deveria ser de negociação do acordo de empresa, nomeadamente em matéria pecuniária, para “queimar tempo”, insistindo na tecla da retirada de direitos, na discriminação de trabalhadores e em valores baixíssimos de actualização salarial», afirma a FESTRU. A federação sindical considera inadmissível que os trabalhadores não tenham os salários aumentados no mês de Abril, como normalmente acontece. A FESTRU acusa o Conselho de Administração de utilizar a negociação colectiva como «mais um meio para fomentar a insegurança dos trabalhadores quanto ao futuro». O objectivo é tornar os trabalhadores mais permeáveis às pressões para rescindirem os contratos de trabalho, com a privatização no horizonte.
Também o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário denuncia os entraves à negociação colocados pelas empresas do sector, a CP, a REFER e a EMEF. Tendo em conta as propostas que estão em cima da mesa, que apontam para a redução dos salários reais, o sindicato considera que o desenvolvimento da luta é o caminho a seguir.


Mais artigos de: Trabalhadores

Manifestação nacional

Os trabalhadores da administração pública protestam contra a redução do poder de compra e o ataque aos serviços públicos. A acção realiza-se amanhã às 15 horas.

Prosseguir a luta em unidade

Os trabalhadores reunidos na tribuna pública do passado dia 3 decidiram voltar à luta hoje, dia da votação parlamentar do Código do Trabalho.

Greve contra o desemprego e as doenças

A FSTIEP – Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas de Portugal/CGTP – promove amanhã, dia 11, uma greve nacional do sector. Às 14 horas, os trabalhadores concentram-se junto ao Centro Nacional de Protecção Contra os Riscos Profissionais (CNPCRP), tutelado pelo Ministério do Trabalho, onde...

Governo regional responsável por mortes

O sindicato da construção civil da Madeira responsabiliza o Governo regional pelos acidentes que em Março causaram a morte a sete operários na região autónoma. Em conferência de imprensa do sindicato, o dirigente Diamantino Alturas, citado pela Lusa, lembrou que, segundo a lei, a responsabilidade pela segurança, saúde e...

Trabalhadores da Eurovela em Lisboa

Os 16 trabalhadores da Eurovela/Kyulo, empresa do sector químico sediada nas Caldas da Rainha, ilegalmente despedidos em Janeiro deslocaram-se ontem a Lisboa, com o objectivo de serem recebidos pelo ministro do Trabalho, pelo Primeiro-ministro e pelo Presidente da República, no sentido de verem reconhecido o seu direito...

Sindicato da CGTP acusa UGT de traição

O Sindicato da Construção do Sul, da CGTP, acusa a associação patronal do sector de assumir uma postura de má-fé negocial, ao encerrar as negociações com os sindicatos da Intersindical no início de Março. Nessa altura, denuncia agora o sindicato, o patronato ocultou o «acordo-traição celebrado nas costas dos...

Em defesa do sector energético público

A Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal quer que o Estado mantenha o seu domínio no sector energético e que a maioria do capital não saia das suas mãos. Para a CCT, é esta a única forma de impedir que a empresa seja vendida ao capital estrangeiro, o que, a acontecer, significaria a perda, para o País, de um...

BREVES

DN sem aumentosO Diário de Notícias não precederá a aumentos este ano. A decisão foi comunicada à Comissão de Trabalhadores da empresa pelo Conselho de Administração, que justifica a sua posição pelas alegadas «dificuldades» que o sector atravessa, resultado da «possível recessão, clima internacional e incertezas» para o...