Não-Alinhados exigem sanções contra Israel

O Movimento dos Não-Alinhados apelou segunda-feira em Kuala Lumpur, capital da Malásia, à imposição de sanções a Israel para obrigar à sua retirada dos territórios palestinianos ocupados. O Movimento acusa Israel de «crimes de guerra» e «violações sistemáticas dos direitos humanos» e exige que seus autores sejam levados ao Tribunal Penal Internacional.

A condenação de Israel e o apoio à causa palestiniana tem sido uma constante da política do Movimento desde a sua criação, em 1961, mas é a primeira vez que os Não-Alinhados exigem sanções e o julgamento dos responsáveis israelitas pela trágica situação que se vive na Palestina. Esta mudança qualitativa na estratégia da organização não é alheia ao clima de guerra que se está a viver com a iminência de um ataque ao Iraque. Tanto a presidência cessante do Movimento, África do Sul, como a que agora entra em funções, Malásia, se opõem a um ataque unilateral contra o Iraque.

A partir da cimeira de Kuala Lumpur, em que participaram dezenas de chefes de Estado e de governo, os Não-Alinhados passam a contar com mais dois membros, Timor e Grenadinas, o que eleva para 116 o número de países do Médio Oriente, África, Ásia e América Latina que integram o Movimento.

Um dos pontos altos do encontro foi a realização de um Fórum Económico para coordenar e potencializar as relações comerciais entre os países membros. Na sua intervenção, o primeiro-ministro malaio, Mahathir Mohamad, subinhou que «a comunidade económica do Sul deve aprender a trabalhar e actuar unida» para superar os seus problemas, e propôs a criação de um Conselho de Negócios permanente para os membros do Movimento.



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