Provocação americana

«A ONU é um organismo que cumpre o que diz? Certamente esperamos que sim. Mas, de uma forma ou de outra, Saddam Hussein, pelo bem da paz e da segurança do povo americano, será desarmado». Estas palavras de Bush, falando no início da semana a governadores na Casa Branca, dificilmente podem deixar de ser consideradas como mais uma provocação à comunidade internacional.

Segundo Bush, a discussão no Conselho de Segurança da «nova» resolução sobre o Iraque vai mostrar se a ONU será ou não relevante no século XXI. Uma tal afirmação, vinda de onde vem, seria hilariante se a situação não fosse trágica. Sucede que, nos últimos 30 anos, os EUA vetaram 34 resoluções do Conselho criticando Israel e instando os israelitas a moderar o seu comportamento face aos palestinianos. Na verdade, nem teria sido necessário apresentar tantas resoluções, uma vez que os seus objectivos estão contemplados na famosa resolução 242, apoiada pelos EUA em Novembro de 1967, que intima Israel a desocupar os territórios adquiridos pela força das armas.

A resolução 242 permanece válida, mas 35 anos depois Israel continua a ignorá-la e a persistir de forma flagrante na sua violação construindo mais e mais colonatos nos territórios ocupados.

Ao considerarem que o futuro da ONU se decide na posição que for tomada em relação ao Iraque, os EUA, que há três décadas apoiam a violação material das decisões do Conselho de Segurança por Israel, estão na verdade a dizer ao mundo que o direito e justiça internacionais se decidem à medida dos interesses vigentes em Washington.



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