Crise abala G7
Reunidos na sexta-feira e sábado, os ministros das finanças e dos bancos centrais do G7 reconheceram o fraco crescimento das suas economias e os riscos de uma guerra contra o Iraque.
Estados Unidos, França, Alemanha, Japão, Reino Unido, Itália e Canadá reconhecem que crise da economia mundial continua a agravar-se, mas preferem mostrar-se confiantes na capacidade de recuperação das suas economias, afastando a hipótese de escassez de petróleo caso deflagre a guerra contra o Iraque.
Durante cimeira, os responsáveis europeus criticaram os desequilíbrios financeiros nos EUA, designadamente as medidas de «relançamento» económico do presidente Bush, onde se inclui uma redução de impostos de 696 mil milhões de dólares, que aumentará o défice orçamental.
O presidente do eurogrupo, que compreende os países da zona euro, Nikos Christodoulakis, afirmou que os «enormes défices gémeos do orçamento e da balança de pagamentos dos EUA correm o risco se tornar insustentáveis». Se desencadearem uma crise nos mercados financeiros tal terá «reflexos significativos fora dos Estados Unidos».
Por seu lado, John Show, secretário de Estado do Tesouro dos EUA, ripostou apontando aos países europeus o fraco crescimento das suas economias. Quanto aos desequilíbrios que ameaçam o dólar, o comunicado final afirma que os sete continuarão a «acompanhar de perto os mercados cambiais e a colaborar de maneira apropriada».
BCE admite
baixar juros
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Wim Duisenberg, admitiu a hipótese de efectuar em breve uma descida das taxas de juro. Durante numa conferência de imprensa à margem da reunião G7, Duisenberg sublinhou que as incertezas económicas devem reduzir as pressões inflacionistas e que o banco central «não hesitará em agir» se a economia recuar ou se os preços estiverem controlados.
A principal taxa de juro encontra-se nos 2,75 por cento, desde Novembro último, altura em que o BCE decidiu cortar em 0,5 pontos percentuais o preço do dinheiro. Nos Estados Unidos a taxa de juro é de 1,25 por cento e no Japão de apenas 0,10 por cento.
«As turbulências suplementares sobre o mercado petrolífero podem ter um impacto negativo» sobre a economia europeia e arriscam-se a fazerem sentir-se negativamente sobre a confiança dos consumidores, notou o responsável pelo banco europeu que, no entanto, afastou um cenário de deflação (descida generalizada e continuada dos preços) na zona euro.
Numa altura em que aumenta o risco de uma guerra, as previsões económicas das principais economias mundiais têm vindo a ser revistas em baixa e as retomas foram adiadas. O ministro grego das Finanças, Nikos Christodoulakis, afirmou na mesma ocasião que a economia dos Doze vive uma fase de «abrandamento preocupante», já que a «incerteza se mantém como elemento-chave» no contexto actual.