Espanha clama «Nunca Mais»
Uma imensa multidão voltou a invadir as ruas da capital espanhola, desta vez para responsabilizar o governo de Aznar pelo desastre do petroleiro «Prestige» ao largo da costa da Galiza. Os protestos contra a guerra também se fizeram ouvir.
Os organizadores afirmam que participaram na marcha mais de um milhão de pessoas, repetindo o êxito da manifestação de 15 de Fevereiro contra a guerra. O números da polícia são mais modestos, apontando para 100 mil pessoas e cerca de 450 autocarros provenientes de toda a Espanha.
No entanto, a plataforma de cidadãos «Nunca Mais» garante que só da Galiza partiram mais de mil autocarros e milhares de automóveis. A eles juntaram-se muito milhares de manifestantes de outras regiões espanholas.
Na faixa que encabeçou o desfile lia-se: «Nunca Mais. Queremos conhecer a verdade. Exigimos responsabilidades». Outros panos seguiam-se com reivindicações dos sectores mais afectados, como os marisqueiros e armadores, e de organizações ecologistas. No meio, integram-se numerosos dirigentes políticos e sindicais, escritores e artistas, entre eles Manuel Rivas que, após cumprido um minuto de silêncio, leu o manifesto da plataforma exigindo «a limpeza completa do litoral assim como uma solução definitiva para o navio afundado».
O escritor terminou a sua intervenção em galego afirmando que, com estas acções, os participantes querem «afastar de vez o nepotismo, o caciquismo e o clientelismo que têm mutilado a sua terra».
Um outro manifesto lido na ocasião pedia a declaração da Galiza como zona de catástrofe e as demissões do presidente do governo regional, Manuel Fraga, do ministro dos Transportes, Francisco Cascos, bem como da comissária europeia Loyola de Palacio por terem «fugido às suas responsabilidades na crise». Mas os manifestantes exigiram igualmente a demissão de José Maria Aznar e do número dois do governo espanhol, Mariano Rajoy
Na manifestação participaram o secretário-geral do PSOE, José Zapatero, o coordenador-geral da Izquerda Unida, Gaspar Lamazares, e os dirigentes das centrais sindicais Comissiones Obreras e UGT, respectivamente José Fidalgo e Cándido Méndez.
Em Bruxelas, Paris e Lisboa realizaram-se igualmente concentrações de protesto contra a maré negra que afectou também o litoral francês e continua a ameaçar a costa portuguesa.