Ameaça de despedimento no Hotel Alfa
A ameaça de despedimento colectivo ilegal paira sobre os trabalhadores do Hotel Alfa. É mais um caso de flagrante ilegalidade cometido pela administração de uma multinacional a quem pouco importa o respeito pelas leis ou pelos direitos dos trabalhadores.
Atento à situação, o deputado comunista Jerónimo de Sousa manifestou já a sua preocupação ao Governo em requerimento onde inquire sobre os esforços por aquele envidados no sentido de levar a multinacional a reconsiderar e a não concretizar o que considera ser uma «gritante ilegalidade».
No texto, o parlamentar do PCP chama nomeadamente a atenção para o facto de existir uma contradição entre a carta enviada pela administração aos trabalhadores em Janeiro passado, onde anuncia o propósito de proceder ao despedimento colectivo – alegando o encerramento definitivo do hotel –, e as declarações aos representantes dos trabalhadores, em que afirma a sua intenção de «interromper e não cessar definitivamente a actividade».
Foi este, com efeito, o teor da afirmação proferida pela administração de Corinthia Alfa Hotel, na pessoa de Hans Cauchi, perante uma delegação do Sindicato de Hotelaria do Sul, em que expressou a intenção de, após as obras a realizar por um período de 15 meses, reabrir o Hotel com a classificação de cinco estrelas, empregando 300 trabalhadores.
Mas já antes, por altura da aquisição daquela unidade hoteleira, perante o receio por si manifestado quanto a eventuais despedimentos ou limitações aos direitos, os trabalhadores haviam recebido da administração a garantia de que tal não iria suceder.
Depois de pôr em relevo o desfasamento de posições da administração da multinacional, que urge esclarecer, Jerónimo de Sousa chama a atenção para a existência de mecanismos legais passíveis de responder a estas situações sem recurso ao despedimento. E recorda que em outros hotéis, em situações idênticas, o governo contribuiu para o acerto de outras soluções «socialmente mais justas».