Razão tinha o PCP ao afirmar a escolha entre avançar ou retroceder
O PCP insiste em todos os combates porque não desiste do povo e do País

MOBILIZAÇÂO Por novos avanços e em defesa de direitos, serviços públicos e funções sociais do Estado, o Partido continua confiante e determinado na luta, garantiu Jerónimo de Sousa em iniciativas que juntaram centenas de pessoas durante o fim-de-semana em Arouca, Lamego e Alpiarça.

O périplo do Secretário-geral do PCP por três distritos – Aveiro e Viseu (ver caixa), no sábado, e Santarém, no domingo, terminou num almoço-comício a que acorreram mais de 300 pessoas, enchendo por completo o pavilhão de «Os Águias», em Alpiarça.

A mobilização foi de resto notada por Jerónimo de Sousa, que na intervenção de encerramento, feita do palco onde se encontravam membros da Direcção da Organização Regional de Santarém (DORS) e membros da direcção do PCP e dos seus organismos executivos, saudou a forte participação na iniciativa, considerando que esta traduz a existência de «Partido, militância e organização».

Antes do Secretário-geral do PCP, já Diogo D’Ávila, membro do Comité Central e responsável pela ORS, usando da palavra em nome da DORS, tinha saudado «calorosamente todos os camaradas e amigos presentes», sublinhando estar-se perante «mais uma prova da força, unidade e disponibilidade do nosso colectivo partidário, confirmadas durante este ano que agora se aproxima do fim e que muito exigiu do nosso Partido».

O fortalecimento do colectivo partidário «tendo em vista não apenas o futuro próximo, mas a necessidade de continuar a dar resposta à complexidade do momento presente», foi aliás de novo realçada por Diogo D’Ávila, que lembrando mais adiante as linhas de trabalho e prioridade definidas em diversos domínios, advertiu que «no próximo ano as exigências não serão menores». Assim será porque, justificou, há importantes objectivos imediatos a concretizar, tais como a dinamização da «acção geral junto dos trabalhadores com iniciativas diversificadas de esclarecimento e mobilização nas empresas e locais de trabalho», de «uma acção nacional de afirmação da CDU» e do seu projecto autárquico, o arranque das comemorações do centenário do PCP e a preparação do XXI Congresso do Partido.

Fundadas preocupações

Perante a expressiva moldura humana em Alpiarça, Jerónimo de Sousa concentrou o seu discurso nas preocupações que se adensam quando o PS e o seu Governo minoritário mostram mais empenho em satisfazer «as contas certas com Bruxelas» do que em «resolver os problemas do País».

Lembrando prioridades que o são para o PCP e deveriam ser para o executivo liderado por António Costa, face à necessidade de prosseguir o caminho de avanços registado na última legislatura (valorização dos salários e do Salário Mínimo Nacional, aumento extraordinário das pensões de reforma ou consolidação da redução tarifária e o seu alargamento a todo o País, entre outros exemplos), o Secretário-geral do Partido notou, em particular, a falta de perspectiva de aumento do investimento público.

Opção tão mais preocupante quanto se sabe que não só coloca em causa o presente, como o prova a degradação dos serviços públicos e funções sociais do Estado, assim como também «não prepara o País com infra-estruturas e soberania produtiva para enfrentar conjunturas difíceis».

«E por isso temos profundas preocupações quanto ao próximo Orçamento do Estado (OE)», realçou ainda Jerónimo de Sousa, que assegurando que o voto do PCP será decidido «perante os conteúdos concretos», insistiu: «os sinais não são bons».

A reclamar especial e urgente atenção está a situação na Escola Pública e no Serviço Nacional de Saúde. Este último, advertiu o dirigente comunista, encontra-se «sob fogo cerrado». Por isso considerou que o que está em causa é saber se a Saúde permanece como uma conquista de Abril e «um direito dos portugueses», ou se, pelo contrário, «prevalecem os interesses daqueles que vêem na doença uma fonte de lucro», um «negócio».

«O SNS está em perigo e basta o Governo não fazer nada para que seja destruído», alertou o Secretário-geral do PCP, que no entanto garantiu que o Partido «tudo vai fazer para o defender», desde logo escrutinando a resposta que é dada às carências evidentes já neste OE para 2020.

Razão tinha o PCP

Idênticas preocupações tinha já deixado Jerónimo de Sousa, no sábado, em Arouca, num almoço-convívio que juntou cerca de duas centenas de pessoas que não quiseram deixar de estar presentes na hora de o Secretário-geral do Partido concretizar o compromisso de estar numa iniciativa naquele concelho do distrito de Aveiro.

De promessas cumpridas não se podem gabar todos, lembrou, aliás, Jerónimo de Sousa, já depois de intervir na iniciativa Mafalda Guerreiro, membro do Comité Central e Responsável da Organização Regional de Aveiro do PCP. Isto porque, exemplificou, «nas eleições muitos falaram no aumento das reformas e pensões», contudo, o PCP «tem estado sozinho nesta exigência».

O aumento extraordinário das pensões de reforma num mínimo de dez euros em cada sessão legislativa – que a não ocorrer deixará cerca de «dois milhões de reformados com aumentos entre os dois e os três euros»; o aumento do Salário Mínimo Nacional para os 850 euros com carácter de urgência; o arranque de uma rede pública visando assegurar creche gratuita para todas as crianças até aos três anos; a valorização das remunerações e carreira e a contratação de trabalhadores na Administração Pública, e o emergente investimento nos serviços públicos públicos e funções sociais do Estado e nas potencialidades produtivas nacionais, foram algumas das reivindicações do Partido recordadas em Arouca por Jerónimo de Sousa, para quem o PS e o seu Governo minoritário «não parecem dispostos a trilhar esse caminho».

Razão tinha o PCP quando nas eleições legislativas afirmava que estava em causa escolher entre avançar ou retroceder, referiu igualmente o Secretario-geral comunista, que criticou «o funil orçamental por onde só passam as opções necessárias depois de satisfeitos o défice e o serviço da dívida».

E em relação ao sentido de voto do Partido àquele documento que todavia ainda não se conhece, Jerónimo de Sousa reiterou que se for um orçamento que não desista do povo e do País, contará com o PCP. Se não for, contará com o seu combate.

 

É possível uma vida melhor

Entre os almoços-comício em Arouca e em Alpiarça, o Secretário-geral do PCP participou em Lamego, na noite de sábado, num jantar com mais de 150 camaradas e amigos em Lamego.

Alexandre Hohhman, dos organismos executivos da Direcção da Organização Regional de Viseu do PCP, foi o primeiro a falar, abordando a intervenção do Partido junto dos trabalhadores e das populações do distrito em defesa das suas reivindicações. Entre estas, referiu a abolição das portagens na A24 e na A25, a requalificação do IP3 e da linha ferroviária do Douro, a exigência do reforço dos recursos humanos e materiais nos hospitais de Lamego e de Viseu, a luta contra a bolsa de horas na PSA Peugeot/Citroën, em Mangualde, contra o encerramento de jardins-de-infância em Lamego, ou pela reposição dos serviços públicos encerrados e em defesa do património e da Casa do Douro.

O Secretário-geral do PCP, por seu lado, recordou as batalhas travadas pelo Partido em 2019 e deixou «uma preocupação de fundo»: «é que o PS pode considerar que chegou o momento de travar os avanços [alcançados] na nova fase da vida política nacional; pode ter a tentação de não concretizar alguns que ficaram expressos em Lei e em Orçamento e aumentar a sua submissão e dependência em relação à UE».

A propósito da discussão do Orçamento do Estado, aliás, Jerónimo de Sousa voltou a acusar o Governo do PS de «fazer escolhas identificando-se com os interesses da UE». Ou, dito doutro modo, «entre os problemas nacionais e as imposições da UE, essa escolha o Governo do PS já a fez».

Face a isto, o caminho, reiterou, é «ir para juntos dos trabalhadores, dos reformados, dos intelectuais, dos pequenos e médios empresários, dos pequenos e médios agricultores. Acompanhar, desenvolver e concretizar as suas propostas. Com aquela confiança inabalável de que temos razão, de que eles têm razão, e de que é possível uma vida melhor no nosso País».




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