Porquê agora a Venezuela?

Albano Nunes

O imperialismo quer deitar mão às maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo

Porquê tâo violenta ofensiva contra a Venezuela Bolivariana? Porquê tanto rancor, tanta hipocrisia, tanta mentira? Porquê a santa aliança que juntou na mesma operação golpista a pior reacção e a social-democracia, Trump e Bolsonaro com Pedro Sanchez, Merkel e demais dirigentes do bloco imperialista europeu? Porquê tão indecente coro da comunicação social, reproduzindo as campanhas de mentiras que enquadraram as agressões à Jugoslávia, ao Iraque, à Líbia, à Síria? Por que é que CDS e PSD batem palmas à inadmissível posição seguidista do governo minoritário do PS?

Não, não é de amor à liberdade ou de generosos sentimentos humanitários que se trata. O estrangulamento económico e financeiro à Venezuela e o roubo dos activos venezuelanos no estrangeiro falam por si. O imperialismo quer esfomear o povo para o conduzir ao desespero e varrer da sua memória quanto a sua situação social e o respeito pela sua dignidade cresceram nos últimos vinte anos e voltá-lo contra o processo bolivariano. É uma arma clássica do arsenal contra-revolucionário. Não, não são nem a liberdade nem os direitos humanos que movem o imperialismo mas as imensas riquezas da Venezuela, que o imperialismo cobiça.

Sim, o imperialismo quer deitar mão às maiores reservas conhecidas de petróleo do mundo mas o que explica tamanha campanha de ódio e tão violenta ofensiva para derrubar o legitimo Presidente da Venezuela, uma tão ampla convergência de forças no campo da reacção e do imperialismo, uma tão brutal ingerência nos assuntos internos de um país soberano, é bem mais profundo. É a própria escolha soberana e progressista do povo venezuelano e a perigosa força do seu exemplo de dignidade, que o imperialismo não tolera. São êxitos e conquistas notáveis alcançados após a vitória de Hugo Chavez em 1998 que importa derrotar e fazer esquecer para sempre. É esse monstruoso crime chavista de desviar dos bolsos das multinacionais as receitas do petróleo para promover o bem estar do povo e ajudar também outros países latino-americanos e caribenhos a quebrar as amarras com os EUA.

A ofensiva contra o processo bolivariano começou logo com o seu nascimento. Sem resultado. Sucessivas conspirações e atentados foram derrotados. O processo consolidou-se e dotou-se de instituições profundamente democráticas e progressistas. Pela América Latina alastrou uma onda de soberania e integração solidária anti-imperialista. A contra-ofensiva imperialista não se fez esperar. Do golpe militar de 2009 nas Honduras ao golpe «institucional» que levou Bolsonaro à presidência do Brasil a relação de forças na América Latina mudou muito e o imperialismo considerou chegado o momento de desferir um golpe mortal na Venezuela Bolivariana. É certo que os agressores não têm o caminho livre, deparam-se com a realidade de um forte apoio popular ao legitimo governo de Maduro, as insidiosas tentativas de abrir brechas no poder bolivariano e levá-lo a claudicar não tiveram o resultado desenhado no guião golpista, fracassou a tentativa de isolar internacionalmente a Venezuela. Mas o imperialismo e a reacção fascista não desarmam. A situação continua muito perigosa. É necessário reforçar a solidariedade com o povo venezuelano.




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