Pés de barro
Não fosse a obsessão persecutória a que se guindou a campanha de mentiras, calúnia e difamação e não se voltaria ao assunto. Não se esgotarão caracteres a desmentir o que se desmente por si. Mesmo que os desmentidos incomodem os que julgavam poder fazê-lo impunemente. Usar-se-à o espaço (escasso se atendermos às duas horas e meia que a TVI dedicou a caluniar o PCP) para registar o que politicamente deve ser relevado: o que de mais fundo jaz sob a grotesca operação anticomunista em curso.
A operação tem agentes, métodos e objectivos pré-determinados. Há os que lançam a lama, fazem o trabalho sujo, conspurcam a profissão que exercem (as leais, os ramos, os antunes, os lousadas). E há os que a moldam num tom mais erudito e elaborado, mas cavalgando o enlameamento dos primeiros, dando como verdades o que conhecem ser mentira, para com a limpidez de quem sabe ao que anda chegar ao ponto nodal do objectivo que percorrem: procurar desfazer a ideia (essa sim verdadeira e não desmentida por esta operação) de que o PCP é diferente, de que não são todos iguais. No rendilhado da escrita, aos migueis tavares, aos crespos e a outros frequentadores desta olaria de «fake news», foge-lhes a boca para a verdade. Esta operação tem por objectivo, como um escreveu, «desfazer essa ideia que os comunistas são todos íntegros que prevaleceu durante anos e anos, mesmo no espírito dos muitos que nunca votaram no PCP.» Maior clareza não se podia pedir. Já tínhamos percebido. O problema é que o barro de mentira que manuseiam é pura areia a desfazer-se-lhes entre os dedos.