Foi você que pediu um Hospital Amadora Sintra?

João Frazão

A agenda da direita mais reaccionária relativamente ao Serviço Nacional de Saúde está cada vez mais clara. Privatizar, privatizar, privatizar.

Para tanto, precisam de fazer esquecer, não apenas o seu papel na degradação do SNS, como, principalmente, os avanços conseguidos nestes anos, na redução das taxas moderadoras, no alargamento das isenções, na contratação de auxiliares, de enfermeiros e de médicos, na diminuição dos utentes sem médico de família, entre outros.

É por isso que andam há meses a criticar tal ou tal problema, a agigantar dificuldades, a lançar o pânico junto das populações, sempre de forma articulada com os grandes órgãos de comunicação social, como ficou claro no último «Prós e Contras», em que, a despeito dos sucessivos prémios que vem grangeando, e de ter sido considerado, ainda recentemente, o 14.º melhor do mundo, se afirmava que o SNS «entrou em colapso total».

É também por isso que os maiores grupos privados de saúde avançam com uma imensa operação de chantagem, anunciando o desinteresse na renovação da PPP do Hospital de Braga, ou a suspensão da prestação de serviços aos utentes da ADSE. Num e noutro caso, o que se trata é de uma tentativa de extorquir mais dinheiro aos contribuintes por serviços que já são principescamente pagos (como se pode perceber pelos 200 milhões de euros que vão ser transferidos para o Grupo Lusíadas, nos próximos três anos, para gerir o Hospital de Cascais) ou mesmo para iludir as moscambilhas que arranjaram para cobrarem à ADSE serviços que não prestaram, o valor de dezenas de milhões de euros.

Depois deste prognóstico tão reservado, como terapia só poderiam prescrever seguros de saúde, maior cooperação com o sector privado, gestão privada na saúde pública.

Vamos ter de lhes lembrar de novo a trágica experiência do Hospital Amadora Sintra.




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