Aumentos
de oito ou nove euros
não respondem
às reivindicações
Forte greve na Rodoviária do Tejo segue em Janeiro com novas lutas

EXIGÊNCIA Os trabalhadores da Rodoviária do Tejo e das rodoviárias do Lis e do Oeste começam a obter alguns resultados da luta que encetaram por melhores salários e pela unificação das regras laborais.

Organizados no Sindicato dos Transportes Rodoviários e Urbanos de Portugal (STRUP), os trabalhadores das três empresas do Grupo Tejo (considerado no universo Barraqueiro, mas com participação da Transdev) fizeram greve nos dias 29 e 30 de Novembro, com níveis de adesão muito elevados, que o sindicato da Fectrans/CGTP-IN situou acima dos 85 por cento, no primeiro dia, e ainda mais forte, no segundo.

Houve locais de trabalho com paralisação total e muito poucos foram aqueles onde a greve não se fez sentir, como relatou um dirigente do STRUP à agência Lusa. Manuel Castelão referiu que motoristas com iguais funções têm salários de 609 ou de 650 euros, conforme a convenção colectiva que lhes é aplicada. Alertou ainda que um salário tão próximo do mínimo nacional «é inconcebível» como remuneração do trabalho de um motorista.

As lutas realizadas noutras empresas e a marcação das greves nas rodoviárias do Tejo, do Oeste e do Lis (que operam nos distritos de Leiria e Santarém) levaram a associação patronal Antrop a apresentar uma nova proposta ao sindicato, no dia 22, como este referiu no último comunicado antes das paralisações. O STRUP registou «melhorias» nesta posição, que aponta para sete níveis salariais na classe de motorista, englobando salário, diuturnidades e «agente único», mas os valores representam de facto um acréscimo de apenas 1,5 por cento, «ou seja, nada nos estão a dar».

O sindicato persiste na exigência de «unificação e equiparação dos valores pecuniários aos praticados ou a praticar nas empresas do Grupo Barraqueiro».

No primeiro dia de greve, «os trabalhadores manifestaram determinação em defender o direito à greve», que a administração pretendia limitar «a pretexto de um despacho de serviços mínimos sem qualquer fundamento e fora do contexto da lei da greve», acusou a Fectrans. A União dos Sindicatos de Santarém, também no dia 29, condenou «a forma abusiva como a administração e algumas chefias intermédias pressionaram os trabalhadores para cumprirem serviços mínimos-máximos em todas as carreiras e as ameaças de represálias junto dos trabalhadores com vínculo de trabalho precário».

Nos piquetes em locais de trabalho das três empresas foi decidido realizar na manhã seguinte, durante a greve, uma concentração junto da sede da empresa-mãe, a Rodoviária do Tejo, em Torres Novas, para decidir novas formas de luta.

A Rodoviária do Tejo recebeu uma delegação dos trabalhadores, no dia 30, mas remeteu qualquer actualização salarial para a negociação de âmbito sectorial, com a Antrop. Mas Manuel Castelão explicou que o sindicato e a federação não esperam «nada» de uma reunião com a Antrop, agendada para dia 13, porque estará em cima da mesa apenas uma actualização salarial de 1,5 por cento, que não responde às reivindicações.

Na concentração de dia 30, em que também participou o Secretário-geral da CGTP-IN, foi decidido voltar à greve nos dias 3 e 4 de Janeiro.

 



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