• Jorge Cadima

Tudo cheira a provocação para inventar pretextos para a guerra
À beira do desastre

A campanha do alegado envenenamento do espião Skripal começou a ruir. Logo deu lugar a nova campanha sobre um suposto ‘ataque com armas químicas do governo sírio’. São as patranhas do partido da guerra, que abrem caminho a novas agressões, guerras ou ‘mudanças de regime’. Vários ministros israelitas, com as mãos manchadas de muito sangue palestino, pedem abertamente um ataque militar dos EUA à Síria (Jerusalem Post, 8.4.18). Israel lança mísseis cruzeiro sobre aquele país soberano, cujo território dos Montes Golã ocupa há meio século. Trump ameaça, secundado por May e Macron. A parada é hoje perigosíssima. Há o perigo duma aventura catastrófica, dum confronto directo entre as maiores potências nucleares do planeta, provocado pelo desespero das velhas potências imperialistas perante a sua irresolúvel crise sistémica, a sua decadência e perda de hegemonia económica, política e militar, e o seu fracasso na Síria e noutras frentes.

A propaganda nunca precisou de ser racional, nem basear-se em factos. Não tem de explicar por que haveria o governo sírio de usar armas químicas às portas de Damasco, quando já libertou mais de 90% desse território e negociava a rendição do último reduto. Nem por que haveria Putin de querer assassinar um espião inglês que o governo russo libertou em 2010, usando uma arma química que poderia ser ligada à Rússia, em vez duma banal arma de fogo (que, além de menos identificável, seria mais eficaz: o espião e a filha estão afinal vivos). Ou por que, sem razão aparente, escolheria fazê-lo uns dias antes das eleições presidenciais russas nas quais era candidato, e três meses antes do Campeonato do Mundo de Futebol que o seu país irá acolher. Tudo cheira a provocação, montada por quem quer inventar pretextos para a guerra.

O historial de uso de armas químicas pelas potências imperialistas é longo e terrível. Inclui o uso de armas químicas pelos ingleses contra a Rússia bolchevique, no Verão de 1919, a mando de Winston Churchill (The Guardian, 1.9.13). E o uso em larga escala pelos EUA de armas químicas (como o Agente Laranja) nas suas genocidas guerras no Sudeste Asiático. Ainda hoje nascem crianças deformadas, como resultado dos seus efeitos. A actual histeria anglo-americano-israelita sobre o alegado uso de armas químicas é duma hipocrisia sem limites.

O verdadeiro ‘crime’ do povo e governo sírios foi terem resistido com êxito, e com a ajuda dos seus aliados da Rússia, Irão e Líbano, a mais uma guerra de agressão imperialista. É estarem a libertar a Síria e a derrotar os tenebrosos bandos de terroristas fundamentalistas que há muitos anos o imperialismo arma e financia, com a ajuda das mais bárbaras ditaduras do Médio Oriente (sempre sustentadas pelas ‘democracias ocidentais’) e do Estado sionista que massacra com impunidade o povo mártir da Palestina. Perante a derrota dos serventuários, os mandantes assanham os dentes.

Impõe-se a vigilância face ao perigo duma monumental provocação dos partidários da guerra, que encaram a Humanidade como o ministro da Defesa de Israel, Lieberman, vê os palestinos que massacra: «não há civis inocentes na Faixa de Gaza» (Times of Israel, 8.4.18).




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