Postulados de Rosas
O PCP é ciclicamente acusado de sectarismo e de postura intolerante contra outros partidos da «esquerda»; geralmente essa acusação varia na razão proporcional directa do anticomunismo, seja ele de direita ou aparentemente de esquerda, e não necessita de prova. Constitui uma espécie de axioma, um postulado. Esse postulado quando aplicado às relações entre o PCP e o BE, torna-se quase uma lei universal. O «velho» e «fechado» PCP passa a vida a atacar o «moderno» e «aberto» BE. Basta o PCP criticar publicamente uma sua proposta ou o discurso ou acção de um dos seus dirigentes e cai o carmo e a trindade.
Já o contrário não causa estranheza alguma. Fernando Rosas deu uma entrevista onde dedicou alguns minutos – precedidos de um sorriso irónico – a desferir mimos àquele que foi o primeiro Partido onde militou. «O PCP ainda não matou o pai. E o pai é a União Soviética» afirmou, dispar(at)ando logo de seguida que «O Mundo soviético [o tal pai do PCP] ruiu, mas por desmérito próprio, não foi atacado por ninguém». Por isso, ou o velho PCP, «um partido com tiques de sectarismo e de exclusivismo», muda (leia-se: rejeita a história do movimento comunista, tal como fez Rosas) ou está condenado. Para Rosas o PCP «tem de se abrir à colaboração à esquerda, sem ter medo»! Sim não é engano, Rosas disse mesmo isto a semana passada! E para sustentar a cassete do PCP «fechado» deixou, numa cegueira sectária, a suspeição sobre quais as reais intenções e postura do PCP na actual solução política.
Rosas não necessitou provar nenhuma das atoardas contra o PCP. E já não é a primeira vez que o historiador que parece ter esquecido parte da história mundial (nomeadamente a da II Guerra Mundial) destila, gratuitamente, o seu odiozinho contra o PCP. Em Janeiro deste ano, num comício do BE em Olhão, Rosas referia-se indirectamente à candidatura de Edgar Silva à Presidência da República como a candidatura que andava com «um terço escondido no bolso» que fazia «sermões» e «piscava os olhos» a uma confissão religiosa. E não, não caiu o carmo e a trindade, tal como parece não ter caído com este novo ataque sectário de um dirigente do BE ao PCP. Um ataque mais próprio da «seita esotérica» a que Rosas também pertenceu, e «onde aprendeu muito», o MRPP.