Pilatos
A ofensiva anti-laboral do grande capital prossegue. O seu objectivo é o de sempre: intensificar a exploração dos trabalhadores, aumentar os lucros dos capitalistas. Na Assistência em Escala (Handling), os trabalhadores enfrentam as consequências da privatização da ANA e da TAP, e da aplicação da directiva europeia liberalizadora (que um despacho de Sérgio Monteiro ainda levou mais longe). Nos Portos, o instrumento deixado pelo anterior governo para intensificar a precariedade e a exploração foi a bárbara lei do trabalho portuário, que permite e estimula a mais completa precariedade.
Em ambos os casos, o grande capital actua como uma tenaz de múltiplos braços para esmagar o preço da força de trabalho. Tudo é apresentado como inevitável, mas a verdade é que há quem tudo ganhe – as multinacionais (chamem-se Vinci, Ryanair, United, HNA ou chamem-se Yildrim, Maersk, MSC, PSA) – e há quem tudo perca – os actuais trabalhadores (que enfrentam o despedimento e a chantagem) e os futuros trabalhadores (a quem está reservado o trabalho mal pago, precário e prestado em condições desumanas).
Num e noutro sector, como em tantos outros, os recursos públicos, os equipamentos públicos e os trabalhadores portugueses, existem apenas para serem mastigados e cuspidos fora quando nada mais houver com que possam alimentar o grande capital. Os pseudo-reguladores engrossam as fileiras dos bem pagos lacaios, recebendo em milhares os muitos milhões que a sua cumplicidade dá a ganhar. A mesma cumplicidade expõe-se numa comunicação social que desinforma e mente sem vergonha.
O combate é tão desigual que convida à rendição. Mas os trabalhadores lutam, e lutam cada vez mais. Hoje, nos Portos e Aeroportos luta-se contra a precariedade e pelo futuro deste País. E não há espaço para neutralidades. O Governo finge-se morto, tentando lavar as suas mãos do problema. Mas como Pilatos, só expõe as cumplicidades (e contradições) em que se encontra enredado e a sua activa cumplicidade com o crime.
As armas que os anteriores governo colocaram nas mãos dos exploradores têm que lhes ser arrancadas. Da luta nascerá a força capaz de o conseguir.