Crato e PSD adoptam herança na Educação

Foram-se as críticas

A nova equipa do Mi­nis­tério da Edu­cação e Ci­ência de­cidiu não evitar o des­pe­di­mento de mi­lhares de do­centes con­tra­tados e deixar que mi­lhares de pro­fes­sores do quadro fi­quem com «ho­rá­rios zero», acusa a Fen­prof.

Agora adoptam me­didas e po­lí­ticas que cri­ti­caram e es­grimem os mesmos ar­gu­mentos

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A Fe­de­ração Na­ci­onal dos Pro­fes­sores propôs ao MEC que na ordem de tra­ba­lhos da reu­nião agen­dada para dia 23, sobre ava­li­ação de de­sem­penho, sejam in­cluídos os graves pro­blemas cau­sados pela al­te­ração das re­gras de or­ga­ni­zação e fun­ci­o­na­mento das es­colas e das normas de ela­bo­ração dos ho­rá­rios do­centes.

Im­postas sem ne­go­ci­ação pela an­te­rior equipa, de Lurdes Ro­dri­gues e do PS, por via do Des­pacho 5328/​2011, de 28 de Março, as al­te­ra­ções foram man­tidas pelo PSD e por Nuno Crato. Po­de­riam ter de­ci­dido manter as re­gras que vi­go­raram no ano lec­tivo que agora ter­mina, mas não foi essa a opção, as­si­nala a Fen­prof, numa nota que di­vulgou se­gunda-feira.

 

Des­pe­di­mento
já em Se­tembro

 

«Já não resta qual­quer dú­vida de que foi me­ti­cu­lo­sa­mente pre­pa­rado o maior des­pe­di­mento co­lec­tivo de pro­fes­sores con­tra­tados, cuja ex­pressão maior terá lugar já no pró­ximo mês de Se­tembro», e «é também evi­dente que a vi­o­lência das me­didas de­li­be­ra­da­mente to­madas para re­duzir o nú­mero de do­centes no sis­tema é de tal ordem que atinge, como nunca, os que in­te­gram os qua­dros, dando origem a mi­lhares de “ho­rá­rios zero” nas es­colas» – pro­testa a fe­de­ração.

Este vo­lume de do­centes sem turmas atri­buídas na es­cola onde estão co­lo­cados e que, por isso, são obri­gados a con­correr a ou­tras es­colas, não se deve a qual­quer ex­cesso de pro­fes­sores, es­cla­rece a Fen­prof, mas ao facto de terem sido al­te­radas as re­gras de or­ga­ni­zação e fun­ci­o­na­mento das es­colas, e as normas de ela­bo­ração dos ho­rá­rios dos do­centes.

A fe­de­ração re­corda as «crí­ticas an­tigas» – do ac­tual mi­nistro, às an­te­ri­ores go­ver­na­ções da Edu­cação; e do PSD, a um go­verno que, se­gundo acu­sava, se pre­pa­rava para des­pedir mi­lhares de do­centes – para ve­ri­ficar que «hoje, com poder de de­cisão, ambos se li­mi­taram a adoptar as me­didas que her­daram, as po­lí­ticas que cri­ti­caram e, mais cu­rioso ainda, jus­ti­fi­cando-as com os mesmos ar­gu­mentos».

A estas novas re­gras de or­ga­ni­zação do ano lec­tivo vêm juntar-se ou­tras me­didas (cons­ti­tuição de turmas, ho­rá­rios e mo­bi­li­dade dos do­centes, con­di­ções para o de­sem­penho de cargos nas es­colas) que «terão um for­tís­simo e muito ne­ga­tivo im­pacto na vida pro­fis­si­onal e pes­soal de mi­lhares de pro­fes­sores, mas serão igual­mente ne­fastas para as es­colas», avisa a Fen­prof, que pu­blicou no seu sítio na In­ternet uma lista de exem­plos de es­ta­be­le­ci­mentos de en­sino com «ho­rá­rios zero» e onde dei­xará de haver lu­gares para pro­fes­sores con­tra­tados.

Do MEC a fe­de­ração já exigiu que, aos do­centes com «ho­rário zero» que não ob­te­nham co­lo­cação noutra es­cola, seja ga­ran­tido ser­viço do­cente na­quela a cujo quadro per­tencem. Desde já fica re­jei­tada uma even­tual su­jeição à «mo­bi­li­dade es­pe­cial», que seria o pri­meiro passo para o des­pe­di­mento.

Re­clamou ainda que seja ga­ran­tida a vin­cu­lação dos do­centes con­tra­tados que têm mais anos de ser­viço, como su­cede no sector pri­vado, o que evi­tará que em Se­tembro sejam des­pe­didos «do­centes com 10, 15 ou 20 anos de ser­viço e que irão fazer falta às es­colas e aos seus alunos».


Afinal, salvam o «monstro»?

O ac­tual mo­delo de ava­li­ação de de­sem­penho dos pro­fes­sores foi clas­si­fi­cado, ainda há poucos meses, como kaf­kiano e mons­truoso. Então na opo­sição, os par­tidos que hoje estão no Go­verno apoi­aram por duas vezes a sus­pensão de tal mo­delo. Por tudo isto, «es­pe­rava-se que o MEC anun­ci­asse a sus­pensão» e que «anun­ci­asse a anu­lação da pro­dução de efeitos dis­cri­mi­na­tó­rios do ciclo que agora ter­mina». Mas, nota Mário No­gueira, Se­cre­tário-geral da Fen­prof, a nova equipa que se sentou na Ave­nida 5 de Ou­tubro «fez pre­ci­sa­mente o con­trário: não só não o sus­pendeu, como ainda quer re­cu­perar men­ções ob­tidas nos pe­ríodos mais tur­bu­lentos, eu diria, mais mons­tru­osos de apli­cação do mo­delo, para fazer vingar, no fu­turo, os seus efeitos dis­cri­mi­na­tó­rios». Numa en­tre­vista pu­bli­cada no sítio In­ternet da fe­de­ração, o di­ri­gente con­si­dera que «po­li­ti­ca­mente fa­lando, pode dizer-se que isso é pouco sério».

Es­pe­rando que os res­pon­sá­veis do MEC «irão re­flectir um pouco mais na ma­téria e eles mesmos con­cluirão da ne­ces­si­dade de al­terar al­gumas das suas in­ten­ções», Mário No­gueira diz que «basta que se in­formem um pouco mais sobre o que acon­teceu nas es­colas, nestes úl­timos anos, para não ar­ris­carem re­petir».

A Fen­prof con­gra­tulou-se por ter sido pos­sível con­tra­riar a pro­posta do MEC, que re­sumia ao mês de Agosto as ne­go­ci­a­ções sobre a ava­li­ação de de­sem­penho. A pro­posta do Mi­nis­tério, cujas li­nhas ge­rais foram apre­sen­tadas a 29 de Julho, será apre­sen­tada amanhã aos re­pre­sen­tantes sin­di­cais. As rondas ne­go­ciais estão mar­cadas para 22, 23, 29 e 30 de Agosto e 9 de Se­tembro. Nessa al­tura, será ava­liada a ne­ces­si­dade de pros­se­guir ou não as reu­niões e, se o MEC pre­tender fe­char as ne­go­ci­a­ções sem acordo, a Fen­prof po­derá re­querer a ne­go­ci­ação su­ple­mentar e manter o pro­cesso em aberto até final de Se­tembro, ga­ran­tindo que não será en­cer­rado sem que os pro­fes­sores se pro­nun­ciem – como re­feriu o Se­cre­ta­riado Na­ci­onal da fe­de­ração, numa nota de 29 de Julho.



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