Tráfico de órgãos no Kosovo
Potências impedem investigação
Os Estados Unidos, a Alemanha e o Reino Unido vetaram, dia 15, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a proposta da Sérvia de constituir um comissão independente para investigar o tráfico de órgãos humanos no Kosovo.
A decisão foi justificada com o argumento de que a missão europeia no Kosovo (Eulex) pode ocupar-se do assunto. Ao invés, a proposta de Belgrado, que conta com o apoio da Rússia, requereu a criação de um novo mecanismo de investigação porque, como salientou o ministro sérvio dos Negócios Estrangeiros,Vuk Jeremic, a missão policial e judicial Eulex é insuficiente, pelo que o Conselho de Segurança deveria abrir uma investigação internacional que garanta «a adequada administração da justiça».
De acordo com documentos secretos da NATO divulgados recentemente pela imprensa britânica, os governos ocidentais sabiam desde 2004 que o actual primeiro-ministro do Kosovo, HashimThaci, era uma personagem central no crime organizado dos Balcãs.
Em Dezembro, o relator dos Direito Humanos do Conselho da Europa, Dick Marty, acusou, para além de Thaci, vários dos seus colaboradores próximos de sequestros, tráfico de armas, drogas e órgãos humanos entre 1999 e 2000.
Segundo Marty, cujo relatório solicitando uma investigação foi aprovado em 25 Janeiro pela Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (169 votos a favor, 8 contra e 14 abstenções), a Eulex poderia participar nas investigações, mas não deveria dirigi-las uma vez que há indícios de actividades suspeitas na Europa, Ásia e África, onde aquele organismo não tem jurisdição.


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