8.ª Assembleia da Organização Regional de Aveiro

É preciso e é possível mais PCP

Encarando de frente as dificuldades da vida dos trabalhadores e das populações, bem como os obstáculos ao desenvolvimento da resistência, os comunistas do distrito de Aveiro reafirmaram a importância de não ceder ao conformismo e de reforçar a influência e a organização do Partido. O lema «Mais PCP, mais justiça social, mais desenvolvimento» ganhou expressão em decisões concretas da assembleia, realizada no sábado, em Espinho.

Os avanços registados animam para prosseguir o esforço

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No auditório da Junta de Freguesia de Espinho, a 8.ª Assembleia da Organização Regional de Aveiro (ORAV) do PCP reuniu 170 delegados e umas dezenas de convidados. Realizada ao fim de dois anos e quatro meses desde a anterior reunião magna do Partido no distrito, foi precedida de «mais de três meses de intenso trabalho preparatório, em que se concretizaram cerca de 110 reuniões, grandes e pequenas, com a participação de mais de 300 camaradas», como lembrou Carlos Gonçalves, da Comissão Política do Partido, na intervenção de abertura.

Ao longo do dia, foi debatida a proposta de Resolução Política, que viria a ser aprovada por unanimidade e aclamação, depois de os seus temas - o contexto nacional e internacional, a situação no distrito de Aveiro e as propostas do PCP, os movimentos e a luta de massas, e a organização do Partido - serem tratados em mais de três dezenas de intervenções.

Numa breve sessão de cerca de meia hora, reservada aos delegados, foi eleita com apenas um voto de abstenção a Direcção da Organização Regional, apresentada publicamente na sessão de encerramento, antes da intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, que acompanhou integralmente os trabalhos. Dos 45 camaradas que integram o organismo dirigente, 11 não faziam até agora parte dele; 12 são operários, 13 são mulheres e 15 têm menos de 35 anos.

A juventude de muitos e a energia de praticamente todos sobressaíram, tanto nas intervenções de concelhos, sectores profissionais e sociais, e sobre temas centrais, como na reacção pronta dos delegados ao que da tribuna era dito. Não surpreendeu, assim, que o encerramento - em que começou por intervir o mandatário distrital da candidatura de Francisco Lopes às presidenciais, o médico Jorge Seabra - tenha decorrido num ambiente de festa e entusiasmo, evidenciando a energia que vai ser dedicada ao intenso trabalho que os comunistas do distrito têm pela frente.

Nas moções aprovadas - todas por unanimidade e aclamação - são destacadas as principais frentes de trabalho dos próximos tempos (ficou apontada para o primeiro semestre de 2013 a realização da 9.ª Assembleia): a luta pela paz, a luta de massas e a greve geral, as eleições presidenciais e a candidatura de Francisco Lopes, e o reforço do Partido.

Os 1455 militantes, com ficha actualizada, que o PCP conta no distrito representam mais 7 por cento do que os registados em Maio de 2008, por altura da anterior assembleia regional. Na Resolução Política e na intervenção central sobre este tema, encara-se este crescimento como a comprovação de que existe um forte potencial para alargar a implantação do Partido e criar condições para uma melhor intervenção junto dos trabalhadores e das populações. Assinala-se que «o colectivo partidário no distrito, num quadro de grandes dificuldades, tem no essencial garantido a resposta», «mas é fundamental que as decisões da 8.ª Assembleia da ORAV contribuam para melhorar em todos os aspectos a organização e actividade do Partido, para enfrentar esta ofensiva dos grandes interesses e da política de direita e tornar possível uma ruptura e uma alternativa patriótica e de esquerda para Portugal, e um novo rumo de justiça social e desenvolvimento para o Distrito de Aveiro».

Foram aprovadas seis linhas de objectivos essenciais para o reforço do PCP e 20 orientações fundamentais para o trabalho de organização. Para o recrutamento, a integração de militantes (designadamente os mais recentes) em organismos, e a realização de assembleias de organização (nos concelhos, nas freguesias e em empresas e sectores), todos os objectivos apontados são superiores aos atingidos desde 2008 - e estes foram justamente valorizados como positivos.

 

Estar à altura

«A situação económica e social do distrito, com o aprofundamento das políticas de direita, vai continuar a agravar-se.» (...)

«Neste quadro surgirão novas condições de intervenção e luta que nos cumpre estimular, para abrir caminho a uma nova política. Mas não se julgue que vai ser fácil. O capital e o governo de serviço, seja do PS ou do PSD, criarão mais dificuldades, mais repressão económica e nos direitos mais essenciais.

É nesse quadro que os comunistas terão de estar à altura de todas as dificuldades e, em quaisquer condições, terão de ser capazes de conduzir a luta popular de massas e reforçar o Partido, porque é esse o único caminho, em condições de garantir uma nova política.» (...) «Um Partido que aqui assume o compromisso de trabalhar incansavelmente pelo seu reforço no distrito de Aveiro, no plano orgânico, financeiro, ideológico, político e eleitoral, e de lutar sem desfalecimentos pelos seus projectos e ideais. Para derrotar a política de direita e abrir caminho a uma alternativa de esquerda. Para construir a democracia avançada, o socialismo e o comunismo.»

(...)

«A intervenção e afirmação do Partido nos próximos meses passa pela grande batalha política das eleições presidenciais» (...). «A intervenção nesta batalha é uma prioridade do Partido e deve envolver todas as organizações e militantes, para construir uma campanha de massas que se desenvolva muito para além dos momentos em que o camarada Francisco Lopes esteja no distrito.»

 

Carlos Gonçalves

 

O espelho do desastre

«O Distrito de Aveiro é bem o espelho de uma política de desastre nacional, de destruição de empresas e explorações agrícolas, do investimento estrangeiro beduíno que sugou recursos públicos e explorou quem trabalha para de seguida se pôr em fuga. É bem o espelho do agravamento da situação social, onde pesam milhares de famílias sem recursos e sem direito ao subsídio de desemprego, do lay-off, dos salários em atraso e dos baixos salários.»

(...) [Na proposta de OE para 2011, com] «mais uma quebra brutal do investimento público, nomeadamente de 20 por cento do PIDDAC, e novas restrições nas transferências para as autarquias», «não admira que os camaradas vejam adiados os investimentos aqui no distrito, como salienta a Resolução Política da nossa Assembleia, com consequências para a economia da região e para o desenvolvimento regional e a vida das populações, agora mais massacradas com o pagamento das portagens.» (...)

«Temos neste distrito muitos exemplos do drama da desindustrialização e da destruição de emprego e de produção: a Oliva, essa empresa estratégica tão importante para o País, que fechou; também recentemente as duas maiores empresas de calçado, a Rohde e a Aerosoles.» (...)

«É urgente promover a nossa produção industrial e o seu emprego; é preciso conceber e pôr de pé um programa sério de desenvolvimento industrial» (...).

 

Crescer a lutar

 

«Temos um valioso património de trabalho e de luta nas empresas e nos movimentos de massas e Programa para abrir o caminho de um Portugal mais desenvolvido e mais justo.

Temos vindo a desenvolver uma intensa acção política» (...). Temos avançado e vamos avançar no reforço geral do Partido.» (...)

«Um Partido que não deixa derrotar nem abater e por isso se lança com toda a determinação para a concretização da acção “Avante! Por um PCP mais forte”. Um Partido mais forte no plano de direcção, dos quadros, com muitos mais camaradas a assumir responsabilidades e tarefas permanentes e a intensificação da formação política e ideológica. Um Partido mais forte, na sua estruturação, no reforço da organização e intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores em geral, nas empresas e locais de trabalho, na acção junto da juventude, mas também com a necessária atenção à organização, estruturação para a intervenção dos camaradas reformados na vida partidária e na acção de massas.

Um Partido mais forte, com a criação e dinamização das organizações de base e a realização de um vasto conjunto de assembleias das organizações partidárias e com a valorização da militância.

Um partido mais forte no plano político e ideológico, na ligação às massas, na propaganda, na imprensa e nos meios de comunicação.

O desenvolvimento destas linhas essenciais, numa grande e empenhada acção de reforço do Partido, colocam a cada militante e organização tarefas importantes, para que o Partido resista e avance, cumpra o seu papel para com os trabalhadores o povo e o País, na afirmação da sua natureza e identidade comunista, na concretização do seu projecto de uma democracia avançada para Portugal.»



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