Para que nunca mais aconteça!
No dia em que se assinalavam os 65 anos do lançamento da bomba atómica sobre Hiroxima, o PCP alertou para as novas ameaças para a paz provocadas pela política militarista dos Estados Unidos da América, confiante numa resposta de massas à cimeira que a NATO realiza este ano no nosso País.
O PCP apela à participação na manifestação de 20 de Novembro contra a NATO
Seis e nove de Agosto de 1945 representam «duas das mais negras páginas da história mundial, que não devem nem podem ser esquecidas», afirmou, em conferência de imprensa realizada na sexta-feira, Ângelo Alves, membro da Comissão Política e da Secção Internacional do Partido. Nesses dias, lembrou, Hiroxima e Nagasáqui foram «reduzidas a cinzas após o lançamento, pela primeira vez na história, de duas bombas atómicas».
Na opinião dos comunistas, estes bombardeamentos, perpetrados pelos Estados Unidos da América, não foram «obra o acaso» e muito menos uma «necessária estratégia militar para garantir a vitória dos Aliados na II Guerra Mundial». Tratou-se, isso sim, de uma «premeditada e criminosa decisão do imperialismo norte-americano visando a demente afirmação da sua supremacia militar e tecnológica e a sinalização da sua política de crescente confrontação com a então União Soviética e de início da chamada “guerra fria”».
Para o PCP, relembrar este hediondo «crime de terrorismo de Estado» não é um simples tributo às vítimas do terror nuclear. É, acima de tudo, «manter viva a memória do holocausto nuclear - para que dele se retirem todas as lições - e reafirmar a importância crucial da luta contra o militarismo, o imperialismo e a guerra, pela paz, o desarmamento, a resolução pacífica dos conflitos e a cooperação entre os povos», esclareceu Ângelo Alves. Aqueles bombardeamentos, concluiu, foram uma «trágica demonstração de quão longe pode ir o imperialismo na utilização do militarismo e da guerra como parte da sua estratégia de dominação económica e geo-estratégica».
Realidade e propaganda
Como salientou o dirigente do PCP, o actual quadro internacional demostra que, infelizmente, o «militarismo, a guerra e a agressão continuam a ser instrumentos centrais da estratégia imperialista». Uma realidade que, recordou, desmente a «propaganda» e as palavras «fáceis» do diálogo, da contenção e da diplomacia que marcaram a eleição de Barack Obama e a atribuição ao Presidente norte-americano do prémio Nobel da Paz – a prová-lo está a «intensificação das guerras imperialistas, nomeadamente no Iraque e no Afeganistão»; o «escandaloso aumento das despesas militares»; a consolidação e aprofundamento de blocos-político militares agressivos como a NATO» ou a «militarização acelerada de blocos como a União Europeia».
Ângelo Alves manifestou ainda a «extrema preocupação» com que o PCP acompanha os diversos focos de tensão que caracterizam a actual situação internacional. Que, lembrou, «são indissociáveis da política de ingerência e militarismo dos EUA e da NATO».
Entre eles, o dirigente comunista destacou, «no Extremo Oriente, as recentes manobras militares sul-coreanas e dos EUA nos mares Amarelo e do Japão»; na América Latina, as «provocações à Venezuela, a reactivação da IV Esquadra dos EUA, a instalação de inúmeras bases militares norte-americanas na Colômbia e outros países da região e as ocupações militares de facto do Haiti e da Costa Rica e o golpe de Estado nas Honduras»; e, no Médio Oriente, as «provocações israelitas na linha azul entre o Líbano e Israel», a política de terrorismo de Estado de Israel contra o povo palestiniano ou contra aqueles que com ele se solidarizam e a «extremamente perigosa» escalada contra o Irão a pretexto do alegado perigo nuclear.
Militarismo e globalização capitalista
Ângelo Alves acusou ainda os EUA e a NATO de não estarem verdadeiramente interessados numa «real política de desarmamento», pois se o estivessem «não usariam o artifício da instrumentalização do Tratado de Não Proliferação – cuja conferência de revisão se saldou por muita propaganda dos EUA mas por decisões muito limitadas – para servir a sua estratégia de pressões e ingerências contra países da região como o Irão e a Síria». E não insistiriam na manutenção de um «poderosíssimo arsenal nuclear, num total combinado de mais de 10 mil ogivas, passível de ser utilizado em ataques militares»; nem tão pouco insistiriam no «estacionamento de armas nucleares norte-americanas em diversos países da Europa».
Se este esforço existisse, acrescentou, «teriam então de começar por reduzir significativamente o seu próprio poderio nuclear» e «pôr fim às ocupações e às guerras de agressão numa das zonas mais instáveis do Mundo». Mas tal não está a acontecer, garantiu o membro da Comissão Política – porque a questão nuclear, como provaram Hiroxima e Nagasáqui, «não é separável da situação internacional e das opções de fundo do imperialismo», concluiu.
PCP empenhado em criar forte movimento popular
Contra a NATO e a cimeira
Na sua declaração, o dirigente do PCP guardou umas palavras para a realização no nosso País, em Novembro, de uma cimeira da NATO – garantindo que o PCP está «fortemente empenhado» em desenvolver um forte movimento popular de luta pela paz e contra a política militarista e agressiva desta aliança. Ângelo Alves deixou ainda o apelo à mobilização em torno da campanha Paz Sim! NATO Não!, sobretudo através da participação na manifestação prevista para o dia 20 de Novembro, promovida por esta plataforma, da qual o PCP faz parte.
Para os comunistas, tal mobilização é fundamental para que, face ao conclave do militarismo e da guerra em Portugal, se eleve bem a voz em defesa da paz, do desarmamento, da cooperação e da amizade entre os povos. «Será a luta dos povos que melhor garantirá o sucesso da conhecida frase para que nunca mais aconteça».
Antes, o membro da Comissão Política revelara já os três objectivos centrais da cimeira da NATO, a merecer a oposição e repúdio do povo português: amarrar os seus membros à guerra do Afeganistão e à decisão de incrementar ainda mais os gastos militares com esta e outras guerras; aprovar um novo conceito estratégico abertamente agressivo, de intervenção global da NATO sob qualquer pretexto, conferindo-lhe um leque de missões e objectivos que apontam para a sua sobreposição em relação à própria ONU; e, por último, envolver os membros da NATO no projecto de instalação de sistemas antimíssil na Europa, decisão que a ser concretizada representaria o fim do equilíbrio estratégico nuclear ainda existente entre as duas principais potências nucleares mundiais.»
Peritos reveladores
Aquando da visita a Portugal do secretário-geral da NATO, no início de Julho, a campanha Paz Sim! NATO Não divulgou um importante documento relativo àquilo que se prevê que venha a ser o novo conceito estratégico da aliança, a aprovar em Lisboa em Novembro. A campanha sustentava a sua posição no relatório da comissão de peritos para o novo conceito estratégico da NATO, presidida pela ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright.
A campanha alertou, então, para a doutrina nuclear da NATO, lembrando que o documento prevê a instalação deste tipo de armamento, nomeadamente dos EUA, no território de outros países membros da NATO. E chamou a atenção para o compromisso aí patente para que a aliança assuma como sua a instalação de novos sistemas ofensivos de míssil, incluindo o projecto de sistema antimíssil no Leste da Europa.
Perigosa é ainda a prioridade à acção fora das fronteiras dos países membros da NATO (ou seja, dentro das fronteiras de outros estados), sustenta a campanha. Que acrescenta ainda a possibilidade, prevista pelos peritos, de a NATO levar a cabo acções militares «sob um desculpa de qualquer (falso) pretexto». A agressão ao Irão surge já como possibilidade, segundo aquele relatório.
A campanha chamou ainda a atenção para a ambição aí patente de uma «acção da NATO projectada para todas as regiões do mundo (Europa, Mediterrâneo, África, Médio Oriente, Ásia Central e mesmo Ásia, “obviamente” não se referindo a América do Norte e deixando a América Latina entregue aos EUA)».