50 anos depois, cá está a Festa do Avante!

Grandiosa, solidária e carregada de futuro

Para os construtores do futuro, as efemérides não são meros actos de memória ou auto-satisfação. E se 50 anos são sempre 50 anos, carregados de histórias e memórias, o que verdadeiramente impressiona é a vitalidade que a Festa mantém, a capacidade que teve e tem de se reinventar, a quantidade e diversidade de pessoas que atrai, a presença marcante da juventude, a oferta cultural que apresenta e o que demonstra acerca das possibilidades ilimitadas da acção e construção colectivas.

«Há muito tempo que não via uma Festa com tanta gente», diziam uns; «nunca vi nada assim», garantiam outros, mais jovens. Contabilidade difícil, esta, perante a massa humana que passou pela Quinta da Atalaia no fim-de-semana. Certo é que a 50.ª Festa foi imensa, enorme, vibrante – uma força imensa. E se isto seria sempre digno de registo, mais ainda o é num momento, como salientou o Secretário-Geral do PCP no comício de domingo, «em que alguns promovem o ódio e a violência, em que procuram impor a agenda xenófoba e racista, nos querem divididos, indiferentes ao sofrimento dos outros e a procurar naquele que é diferente o culpado pela nossa situação difícil, quando querem que os jovens marchem para a guerra, quando nos querem conformados, desesperançados e vergados às injustiças e desigualdades».

A Festa enfrenta tudo isto, mostrando outros caminhos possíveis: ainda nas palavras de Paulo Raimundo, ali esteve uma «força imensa a resgatar a solidariedade, a fraternidade, a amizade e a paz», a «confiança no futuro, a construção colectiva, o ideal e o projecto, o sonho tornado realidade, a esperança que não fica à espera (...), a coragem e a alegria de viver e de lutar».

Memória com futuro dentro

Dentro dessa grande efeméride que foi a 50.ª Festa houve outras a assinalar: os 100 anos de Artur Ramos, militante comunista e «um dos nomes maiores da encenação e da realização televisiva em Portugal», como se lia no painel evocativo colocado no Espaço Central, onde também se lembrava os 90 anos de José Santa-Bárbara, «uma das figuras mais marcantes do design e das artes plásticas» no País, autor de capas de discos de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira e do logotipo da CP, participante em várias bienais da Festa.

Naquele mesmo espaço eram ainda evocados os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, que urge afirmar e defender, e os 90 anos do “poeta da Revolução”, José Carlos Ary dos Santos, homenageado em meia dúzia de painéis e numa instalação em que dava para ouvir a sua voz poderosa a recitar alguns dos seus mais conhecidos poemas: a história de um deles, “A Bandeira Comunista”, era contada num painel próprio, que remete para o terrorismo bombista de 1975-76, dirigido fundamentalmente contra o Partido. E, então como hoje, «A cada novo assalto, cada escalada fascista, subirá sempre mais alto, a bandeira comunista».

Num Espaço Central particularmente original ao nível das técnicas construtivas foi sobretudo do presente e do futuro que se falou. A exposição política, “Combater o custo de vida, aumentar salários e pensões, melhores serviços públicos”, denunciava as consequências de uma política ao serviço do grande capital, que acumula lucros crescentes ao mesmo tempo que a maioria faz contas à vida para pagar a renda ou prestação da casa, os alimentos, a energia ou os combustíveis.

Dividida por temas, cada um desenvolvido numa “casinha” própria, ficámos a saber que «quatro em cada 10 famílias em Portugal não conseguem pagar uma semana de férias fora de casa», que «quase 5% dos orçamentos familiares são gastos em Saúde, em medicamentos, óculos, dentista, especialistas», que «48% dos pensionistas da Segurança Social recebem até 500 euros»; que «300 mil crianças em Portugal vivem em privação material e social»; ou que Portugal é o sexto país que vende o combustível mais caro. Mas dizia-se mais: que a EDP e a GALP amealharam cada uma perto de 3000 milhões de euros em três anos.

Em todas as áreas afirmava-se a alternativa que o PCP propõe: o reforço dos direitos e dos serviços públicos e a construção de uma política patriótica e de esquerda.

Como sempre e mais ainda!

Sendo o que sempre foi, a Festa deu especial atenção à solidariedade internacionalista, talvez um pouco mais ainda do que noutros anos, dada a exigência – e os perigos – dos tempos em que vivemos: com a Palestina, naturalmente, mas também com Cuba, que resiste ao bloqueio genocida do imperialismo norte-americano. Um emocionante momento de solidariedade no sábado à tarde, junto ao Espaço Internacional, e a mensagem do Presidente da República e Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, Miguel Diaz-Canel, transmitida no comício, foram momento altos dessa solidariedade, que urge prosseguir e alargar.

Da 50.ª Festa falaremos demoradamente nas páginas que se seguem – certos de que não há palavras nem imagens capazes de relatar com precisão todas as emoções ali vividas. O encontro ficou já marcado para 2027, a 3, 4 e 5 de Setembro, no mesmo sítio, aquele em que todos os anos se demonstra que os sonhos podem ser realidade.

Até lá!



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Colaboram nesta edição

Fotografia: Adérito Machado, Ana Isabel Martins, Ana Ferreira, Daniel Guerreiro, Diogo Frazão, Estela Carvalho, Fernando Monteiro, Fernando Teixeira, Fernando Zarcos, Inês Seixas, Jaime Carita, João Lopes, Jorge Cabral, Jorge Caria, José António Coelho, José Baguinho, José Carlos Pratas, Lucas Afonso, Luís Duarte Clara,...

Agradecimentos

A todas as entidades, públicas e privadas, que contribuíram para a realização da Festa do Avante!. À Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, à Associação de Colectividades do Concelho do Seixal e a muitas outras associações, colectividades e clubes desportivos. Ao NFIST – Núcleo de...