Intervenção de Paulo Raimundo, Secretário-Geral do PCP

Projecto, iniciativa e proposta para uma luta que vai continuar

A todos vós, obreiros desta magnifica construção colectiva, dirijo uma enorme saudação. (…) Aos que estão sempre, aos que regressam, aos que estão pela primeira vez, sejam todos bem-vindos, esta é a vossa Festa, e amanhã lá estaremos ao vosso lado na vida, nas dificuldades, no sonho, na esperança e na luta por uma vida melhor. (...)

Aqui estamos, a bem da Humanidade, com todos vós, pela superação revolucionária do capitalismo, a grande necessidade do nosso tempo. Aqui estamos a fazer frente à besta da guerra e ao sistema capitalista que a promove e dela se alimenta, esse sistema da exploração, opressão, agressão, fome, miséria, corrupção, fascismo, destruição ambiental. (…)

A força da solidariedade
Daqui lhes dizemos: tirem as mãos da Venezuela e libertem o Presidente Nicolás Maduro.

Daqui saudamos a luta do povo sarauí e a de todos os povos que resistem à agressão do imperialismo e lutam pela sua soberania e direitos no Médio Oriente, em África ou na América Latina.

Rejeitamos as pressões dos que tentam proibir e criminalizar a solidariedade, condenamos e denunciamos os porta vozes do horror, aqui estamos pela Palestina, pelo seu povo e pelo seu Estado soberano e independente.

Condenamos e não calamos perante a ocupação e o genocídio às mãos da política terrorista do Estado de Israel, com o apoio dos EUA, a hipocrisia da União Europeia e de todos os coniventes com esse monstruoso crime.

Os mesmos que agridem o Líbano, que levam uma guerra ao Irão, que conta com a vergonhosa cumplicidade do Governo português, ao abrir as portas da Base das Lajes à máquina de guerra norte-americana. (...)

A luta de Cuba é a nossa luta, uma luta de todos quantos abraçam os valores da verdade, da liberdade, da justiça, da soberania, da democracia e da paz, uma batalha a que nenhum democrata, nenhum antifascista, nenhum anticolonialista pode faltar. Camarada Miguel Díaz-Canel, saudamos a mensagem que nos foi dirigida, e daqui, desta nossa festa, envio a solidariedade de todos nós, a solidariedade deste povo ao povo cubano.

Cuba não está só, Cuba vencerá!

Defender a soberania
Os povos não precisam de bloqueios, sanções, raptos, ingerências ou agressões.

O povo e a juventude em Portugal precisam é de melhores salários e pensões, acesso à saúde, hospitais, de casa para viver, escolas, precisam de creches, lares, transportes, serviços públicos, cultura, ciência, investigação, produção, desenvolvimento.

Portugal precisa é de soberania e não de continuar vergado às ordens da União Europeia, refém dos interesses da NATO e dos EUA e nas mãos dos que se acham donos disto tudo, os tais que somam lucros astronómicos à custa da exploração, da especulação, da corrupção, das privatizações e outros crimes económicos, à custa do brutal aumento do custo de vida. (…) Cada vez pagamos mais pelos combustíveis, alimentos, habitação para encher os cofres de uns poucos. (...)

Governo ao serviço do capital
Um Governo que é mestre da propaganda e da ilusão, que o digam as vítimas das intempéries a quem os apoios ou chegaram tarde ou, sete meses depois, ainda estão por chegar. Um Governo que jura a pés juntos que não o fará mas, caso tenha espaço para isso, tudo vai fazer para que o capital ponha a mão no dinheiro dos trabalhadores e assaltar a Segurança Social. (...)

Se não fosse dramático, teria até graça a afirmação de que a entrada no capital da REN, rapidamente saudada pela embaixada dos EUA, é para defender a soberania nacional. Mas onde fica a soberania quando a multinacional Moeve se prepara para pôr a mão na refinaria de Sines, a única refinaria em Portugal?

Onde estava o patriotismo quando o governo de Passos Coelho, aquele que actuais dirigentes do Chega e da Iniciativa Liberal apoiaram e têm saudades, privatizou: a ANA, a REN, a EDP, a Portugal Telecom, a CP Carga, os Correios e, na vigésima quinta hora e pela calada, ainda entregou a TAP? (...)

Portugal não precisa de quem hipocritamente invoca a soberania mas entrega o País às multinacionais. (…)

Política de desastre nacional
O problema é mesmo a política de Governo que merece censura. Tal como são censuráveis todos os que apoiam, suportam e viabilizam a política de desastre nacional que está em curso.

É também responsável o PS, que viabilizou o Orçamento do Estado do PSD/CDS, é também responsável a Iniciativa Liberal, a promotora de tudo quanto favorece o grande capital, é também responsável o Chega que, entre a mentira e a demagogia, está com o Governo e esta política, em tudo o que é estrutural, sempre ao lado dos mais ricos e poderosos, como ficou evidente na descida do IRC. (...)

Não há gritaria ou linhas vermelhas, não há manobras ou desvio de atenções que iludam a questão central: a política ao serviço dos grupos económicos é incompatível com a resposta às necessidades da maioria e do País.

Se o PS viabilizar o Orçamento do Estado, mais uma vez não só liberta um Chega, comprometido até ao pescoço com a política em curso, de ter de o fazer, como lhe dá mais espaço para continuar a enganar o povo. (…)

Ofensiva global
O Capital está sentado no Conselho de Ministros, ocupa a imensa maioria das cadeiras na Assembleia da República, procura saquear os recursos do País, quer ajustar contas com as conquistas da Revolução de Abril e para isso conta com um Governo PSD/CDS que, em claro confronto com a Constituição, quer liquidar direitos, atacar elementos centrais da estrutura social conquistada pelo povo português e impor uma visão antidemocrática em todos os níveis da vida nacional.

O que está em causa não é só a fragilização do SNS e a transferência de recursos públicos para os grupos privados do negócio da doença, querem mesmo destruir o SNS e o direito à saúde.

O que os move não é apenas transferir cada vez mais recursos para os grupos privados da educação, querem mesmo reconfigurar a escola pública, atacar a carreira dos professores, substituir estruturas do Estado por empresas privadas, como aconteceu com a trapalhada dos exames.

A proposta que o Governo fez aprovar com o apoio do PS sobre a Prestação Social Única não é apenas para limitar o acesso à protecção social, estigmatizar a pobreza ou reduzir apoios, querem mesmo assaltar a Segurança Social e comprometer a reforma a gerações futuras.

Não se trata apenas da recusa de uma política pública de habitação que enfrente um tempo onde as casas nunca estiveram tão caras, onde nunca foi tão difícil arrendar e tão fácil despejar, ao mesmo tempo que a banca apresenta lucros históricos. Querem mesmo é perseguir inquilinos e anular os seus direitos, querem mesmo desmantelar estruturas do Estado sem as quais não há política de habitação, querem pôr os solos na mão da especulação.

O projecto que querem impor não passa apenas na continuada ofensiva contra direitos dos trabalhadores e na contenção e desvalorização dos salários. O que querem, como revelou o derrotado pacote laboral, é levar por diante um retrocesso sem precedentes aos direitos e organização dos trabalhadores e intensificar a exploração. (...)

O que querem mesmo é, a mando do capital, rasgar a Constituição da República.

Não surpreende que PSD e CDS, o Chega e a IL estejam unidos nestes objectivos a partir das suas concepções reaccionárias, o que não se entende é a disponibilidade do PS para amparar um assalto em curso, e que é preciso levar muito a sério. (…)

Por um novo rumo
Perante esta ofensiva global, é preciso a resposta global.

Uma resposta que exige a mobilização de todos e de todas as forças, que exige que assumam todos os meios e instrumentos, desde logo a luta de massas, para interromper esta política e a acção deste Governo. (...)

Este é o tempo de apontar com clareza o novo rumo que Portugal precisa. (…)

É para este projecto de ruptura e mudança, patriótico e de esquerda, é para este movimento, para este novo rumo que desafiamos todos os que não se resignam.

Há força e há forças para resistir e vencer.

Há um ano, aqui nesta mesma Festa, afirmámos que não desistíamos e que os trabalhadores e a sua luta podiam e iriam fazer cair o pacote laboral, e o pacote laboral caiu mesmo.

É hora de saudar todos os que deram expressão a um dos maiores processos de luta desenvolvido no nosso País. (…) Um ano depois aqui estamos e afirmamos com orgulho – esta grande vitória dos trabalhadores é também uma vitória do PCP, do Partido que nunca desistiu, que nunca vacilou, o Partido de confiança e da confiança que nunca faltou. (…) A luta é o caminho da vitória.

O compromisso do PCP
Projecto, iniciativa, proposta, é este o compromisso do PCP para uma luta que vai continuar em todas as frentes, agora ainda com mais e novas forças.

Que todos os trabalhadores exijam o aumento dos salários, o fim da precariedade e os falsos recibos verdes, que exijam contratos efectivos, a valorização das suas carreiras e profissões, a dignificação do trabalho por turnos, a redução do horário de trabalho para as 35 horas.

Travemos o assalto à Segurança Social, o ataque às pensões, o prolongamento da idade da reforma, lutemos pelo aumento intercalar das pensões e reformas em 50 euros com retroactivo a Julho, levemos por diante a justa revindicação do direito à reforma sem penalizações, aos 40 anos de descontos. (...)

Que cada pai e cada mãe não abdique do direito a ter tempo para acompanhar os seus filhos, de ver concretizados todos os direitos das crianças, aceder à cada vez mais urgente rede pública de creches, à gratuitidade dos livros de fichas e das refeições escolares.

Estamos todos convocados e obrigados a salvar o Serviço Nacional de Saúde. (…)

Lutemos contra a divisão, travemos a agenda xenófoba e racista, os trabalhadores imigrantes merecem respeito, dignidade e direitos. (...)

Que todos se mobilizem, que ninguém se encolha contra o roubo e o brutal aumento do custo de vida, lutemos pela regulação de preços dos alimentos, da energia e dos combustíveis, pela fixação do gás de botija nos 20 euros, pela descida para 6% do IVA da energia e telecomunicações. (...)

Aqui estamos para propor, exigir, lutar, aqui há projecto, aqui ninguém desiste do País.

Portugal não está condenado a ser um resort turístico.

Podemos e devemos produzir mais alimentos, medicamentos, comboios, barcos, bens e equipamentos tecnológicos, Portugal pode, deve e tem condições para produzir mais e substituir importações, para apostar na ciência e tecnologia, para valorizar o trabalho e os trabalhadores, para apoiar as pequenas e médias empresas, a indústria, a agricultura e as pescas. (…) Provoquem o sobressalto, lutem pelas vossas vidas.

Contem connosco, contem com o PCP, lá estaremos já nos próximos dias a levar por diante uma acção de contacto e esclarecimento nas empresas e nas ruas, pela ruptura com as injustiças que marcam as nossas vidas, lá estaremos com a confiança de que com a força de cada um é possível um novo rumo para o País.

Um partido à altura
Cá estamos com uma imensa alegria de viver e de lutar.

Cá está o PCP, o Partido que queremos mais forte e que estamos a reforçar.

(…) Respondam na luta de todos os dias, como fazem nesta que é a vossa Festa, transformem o sonho em vida, tomem nas mãos esse mundo novo que está por conquistar. Contem com o vosso Partido para convosco cumprir o objectivo libertador da sociedade nova, o socialismo e o comunismo.

Intervenções na íntegra em https://pcp.pt/comicio-da-50o-festa-do-avante

 



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Colaboram nesta edição

Fotografia: Adérito Machado, Ana Isabel Martins, Ana Ferreira, Daniel Guerreiro, Diogo Frazão, Estela Carvalho, Fernando Monteiro, Fernando Teixeira, Fernando Zarcos, Inês Seixas, Jaime Carita, João Lopes, Jorge Cabral, Jorge Caria, José António Coelho, José Baguinho, José Carlos Pratas, Lucas Afonso, Luís Duarte Clara,...

Agradecimentos

A todas as entidades, públicas e privadas, que contribuíram para a realização da Festa do Avante!. À Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, à Associação de Colectividades do Concelho do Seixal e a muitas outras associações, colectividades e clubes desportivos. Ao NFIST – Núcleo de...