África procura silenciar as armas
A União Africana (UA) organizou há dias, em Luanda, uma cimeira sobre a prevenção e resolução de conflitos no continente. Os governantes dos 55 países que integram a organização pan-africana estão preocupados com as ingerências estrangeiras, o terrorismo, os conflitos, as ameaças cibernéticas e de informação como alguns dos desafios para conquistar a paz.
A declaração final, denominada “Decisão de Luanda”, recomendou a prestação de contas em todos os mecanismos da UA, incluindo o Conselho de Paz e Segurança, para garantir uma maior eficácia na execução das medidas adoptadas. Destacou a necessidade de fortalecer a responsabilidade financeira africana na agenda de paz e segurança, com uma maior mobilização de recursos para o Fundo de Paz da UA e o uso de mecanismos inovadores de financiamento. E realçou que a referida agenda deve estar respaldada por fundos africanos, sem descartar a cooperação com parceiros internacionais, a qual deve basear-se no respeito mútuo, na soberania, na integridade territorial e nas soluções dos africanos para os desafios do continente.
Do seu lado, o anfitrião da cimeira, o presidente de Angola, João Lourenço, considerou que a paz é condição para o desenvolvimento económico dos países africanos e para a dignidade e estabilidade dos seus Estados. Acentuou que é responsabilidade dos actuais dirigentes criar as condições para que as futuras gerações de africanos possam viver um continente livre de guerras, conflitos armados e violência, «mais integrado, mais próspero e mais seguro».
Já o presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, chamou a atenção para a gravidade das situações que afectam zonas como o Sudão, o leste da República Democrática do Congo, a Somália, o Sahel, o Sara Ocidental, a Líbia, o norte de Moçambique, Madagáscar. Advertiu que a proliferação de grupos armados, o terrorismo, a pirataria e golpes de Estado impõem uma revisão imediata das ferramentas continentais perante ameaças que combinam a guerra tradicional com ingerências estrangeiras e ciberameaças. E precisou que não é possível resolver o terrorismo recorrendo de maneira exclusiva a esquemas centrados na força militar, propondo que a UA implemente uma abordagem integral que aborde as causas políticas, económicas e sociais que alimentam a violência em África.
Confirmando as preocupações dos governantes africanos, que desde há muito procuram as melhores formas de “silenciar as armas” no continente, agora, em finais de Agosto, quando na capital angolana decorria a cimeira da UA, no Níger registou-se mais uma tentativa de golpe de Estado.
Escasseiam os pormenores dos acontecimentos em Niamey, mas a Confederação dos Estados do Sahel (AES), constituída pelo Níger, Mali e Burkina Faso, condenou a revolta militar, classificando-a como «traição», e garantindo que continuará mobilizada no reforço da independência e na defesa da soberania. Um dos primeiros países a condenar a tentativa de golpe foi a Argélia, que assegurou às autoridades nigerinas plena solidariedade e firme apoio para ultrapassar a situação e favorecer o rápido retorno à estabilidade e paz.




