UE é cúmplice do genocídio e da ocupação na Palestina
Ao recusar suspender o acordo de associação com Israel, a União Europeia revela uma vez mais a dimensão da sua cumplicidade com os crimes e as violações do direito internacional de Israel.
Retórica vazia da UE «enquanto populações inteiras palestinianas estão a ser eliminadas»
O Movimento pelos Direitos do Povo Palestiniano e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) enviou uma carta ao ministro dos Negócios Estrangeiros português insistindo na suspensão pela União Europeia (UE) do Acordo de Associação com Israel, precisamente um dos aspectos mais reveladores da conivência com a ocupação e o genocídio em curso na Palestina por Israel. Na missiva, de 26 de Agosto, o MPPM expressa a sua indignação por a UE não adoptar medidas concretas contra Israel.
Apesar dos repetidos avisos da ONU, que identificam elementos de um genocídio em curso contra o povo palestiniano pelas mãos de Israel, a atitude da UE representa na prática uma luz verde às atrocidades que se verificam, denuncia o MPPM, salientando que mesmo a proibição dos produtos dos ilegais colonatos israelitas, que há décadas se afigura uma medida óbvia, foi inviabilizada.
O custo desta cumplicidade da UE mede-se em perdas humanas impressionantes: Israel matou pelo menos 1286 palestinos e feriu outros 4257 na Faixa de Gaza devido às continuadas violações do cessar-fogo desde que este entrou em vigor a 10 de Outubro de 2025; Israel matou pelo menos 21.289 crianças na Faixa de Gaza desde Outubro de 2023 e pelo menos 300 crianças foram mortas por Israel desde que a trégua de 2025 entrou em vigor.
Além disso, Israel ocupou ilegalmente quase 70% do território da Faixa de Gaza, está a demolir tudo o que resta nesta área e recusa-se a retirar as suas forças militares, apesar dos acordos e do direito internacionais. Israel continua a restringir a importação de alimentos, material médico e bens essenciais para níveis muito abaixo do mínimo necessário e proíbe a entrada de qualquer equipamento de abrigo para a população palestiniana. As principais ONG foram expulsas da Faixa de Gaza e os jornalistas de vários países continuam proibidos de entrar neste território palestiniano.
Cisjordânia: «terror sem precedentes»
O MPPM acusa que, enquanto a UE adia medidas decisivas, a situação na Cisjordânia também degenerou num terror sem precedentes. Os ataques de colonos israelitas apoiados pelas forças militares e o Governo israelita contra comunidades palestinianas atingiram um máximo histórico, caracterizados, entre outros crimes, por incursões armadas, incêndios de terras agrícolas e expulsões forçadas.
Foram registados mais de 1400 ataques de colonos israelitas desde o final de 2023, visando a expulsão da população palestiniana das zonas rurais.
Israel demoliu mais de 1700 casas e outras estruturas palestinianas na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, deixando milhares de famílias sem abrigo. Neste território palestiniano, mais de 1200 palestinianos foram mortos pelas forças militares e por colonos israelitas só durante este período.
Para o MPPM, a situação dos direitos humanos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada deteriorou-se para além de qualquer limiar humanitário aceitável. Os bloqueios sistémicos à ajuda humanitária, as baixas civis sem precedentes e a expansão acelerada dos ilegais colonatos na Cisjordânia violam directamente os princípios fundamentais do direito internacional.
Nadar com Gaza: fomos ao mar em Carcavelos!
Muitos adultos e crianças responderam ao convite do MPPM e do Parents for Peace para se juntarem na Praia de Carcavelos para manifestar a sua solidariedade com as crianças de Gaza, vítimas inocentes da guerra genocida movida por Israel. E, em particular, com os milhares de crianças que nesta semana entraram pela primeira vez no Mar Mediterrâneo depois de concluírem a primeira fase da iniciativa de Amjed Tantesh que lhes proporcionou aulas de natação gratuitas nas piscinas marítimas seguras que construiu nas praias de Al Qarara e Deir Al Balah, patrocinadas principalmente pela Swim with Gaza.
Carcavelos foi um dos 75 locais em todo o mundo onde, esta semana, se realizaram iniciativas de solidariedade nadando com Gaza. Houve um exercício lúdico de construção na areia criando a mensagem Free Gaza. Houve muita criatividade em cartazes. Gritou-se “Palestina Livre” na fotografia de Grupo. O evento culminou com uma entrada simbólica nas águas do Atlântico levando a onda de solidariedade de Portugal até às margens orientais do Mar Mediterrâneo.




