Guiné-Bissau: “referendo constitucional” foi um «fracasso total»
As principais forças políticas na Guiné-Bissau classificaram o dito “referendo constitucional” do dia 30, organizado pelos militares golpistas no país, como um «fracasso total». Consideram que a abstenção, que apontam ser superior a 90%, representa uma rejeição do regime militar no poder.
As coligações PAI-Terra Ranka, que integra o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), e API-Cabas Garandi, bem como o movimento Firkidja di Pubis, saudaram o povo guineense pela resposta positiva ao apelo para o boicote do referendo. «Este boicote deve ser entendido como uma manifestação de consciência cívica e política e como uma mensagem clara do povo guineense: as grandes decisões sobre o futuro da Guiné-Bissau não podem ser impostas por um grupo restrito de pessoas», sublinharam estas forças políticas.
A plataforma Frente Única, da qual faz parte a coligação PAI Terra-Ranka, tinha apelado à população ao boicote do pseudo-referendo, que classificam de farsa. A Frente Única integra a coligação PAI-Terra Ranka, a coligação API-Cabas Garandi, a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG-CS) e diversos movimentos políticos e sociais.
O denominado “referendo constitucional” foi organizado pelas autoridades militares no poder em Bissau desde o golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025 e pretendia “legitimar” uma nova Constituição, elaborada pelos golpistas, impondo a centralização do poder institucional.
Os partidos políticos, coligações e movimentos que se opõem ao golpe denunciaram a manifesta «falta de legitimidade» deste processo referendário, caracterizado pela completa restrição das liberdades e direitos democráticos.
Em Bissau, entretanto, um porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, controlada pelos golpistas – que não permitiram qualquer escrutínio ao processo de votação e da contagem de votos – anunciou na noite eleitoral uma participação «acima de 50%» no referendo e anunciou para esta semana a divulgação dos «resultados oficiais».




