Frente Comum chamou Governo à «Terra dos Trabalhadores»
Enquanto no Parlamento se discutia o estado da nação, a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública promoveu uma «tribuna pública» no exterior, para colocar o foco na realidade dos trabalhadores e dos serviços.
O Governo pode continuar a contar com a resistência dos trabalhadores
A iniciativa, que decorreu ao final da manhã de quinta-feira, dia 16, no Jardim das Francesinhas, contou com a participação de dezenas de dirigentes, delegados e activistas sindicais. Quiseram, assim, chamar a atenção para a necessidade de aumentos salariais e valorização das carreiras profissionais, reiterando a exigência de que o Governo responda à Proposta Reivindicativa Comum anual, entregue em Setembro de 2025, e também à proposta de aumento salarial intercalar, apresentada em Janeiro de 2026.
Com uma rábula, foi colocado em cena o tema do evento: «Governo chamado à Terra dos Trabalhadores».
Em intervenções de vários dirigentes sindicais, foram expostos os problemas que, desmentindo a conversa de governantes e seus apoiantes, são vividos pelos trabalhadores, pelos utentes e pelos próprios serviços públicos, na Saúde, na Educação, na Administração Local, no sector social.
Décadas de falta de investimento levam à degradação dos serviços e abrem caminho ao negócio dos grupos privados, a quem são também entregues verbas muito elevadas por subcontratação (externalização).
A denúncia foi completada com a exigência de inversão deste rumo.
Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, ao encerrar a série de intervenções, citou alguns números, contrariando a ideia de que «está tudo bem», repetida por membros do Governo relativamente a várias questões.
Quanto à urgência de aumentos salariais, lembrou que metade dos trabalhadores portugueses leva para casa menos de mil euros e 48% dos pensionistas têm pensões inferiores ou iguais a 500 euros. Nos últimos 10 anos, o preço das casas duplicou numa grande parte do território nacional. E há 300 mil crianças a viver em situação de pobreza, «dado que deveria fazer corar de vergonha qualquer governante que tenha a coragem de dizer que o País está bem».
«Agora é moderno criar-se medidas avulsas para combater a pobreza, em vez de ir à raiz do problema», que é «uma injustíssima distribuição da riqueza», criticou Sebastião Santana, trazendo à liça «números que não deixam margem para dúvidas». Entre 1985 e 2024, «os muito ricos, que são um por cento da população, são 114 mil pessoas, conseguiram ver a riqueza aumentar de 22,6% para 25%, ou seja, a riqueza dos muito ricos cresceu 10% neste período». Mas «os mais pobres deixaram de ter 4,8% do produto do País, para passarem a ter 3,6%, ou seja, agravou-se ainda mais a sua situação».
Os trabalhadores da Administração Pública recebem salários baixos e têm carreiras desvalorizadas. Como também assinalou o coordenador da Frente Comum, a precariedade cresceu e já atinge quase cem mil trabalhadores.
Acresce o SIADAP, «um sistema de avaliação absolutamente genial para manter trabalhadores na mesma posição remuneratória por 6 ou 8 anos».
Sublinhou que «perante um ataque desta dimensão, vai ser importante nós termos aliados» e, «para a luta dos trabalhadores da Administração Pública, não há melhores aliados do que os utentes dos serviços públicos».
Além de destruir serviços públicos, o Governo «está a atacar direitos», mas pode continuar a contar «com a nossa resistência», assegurou o dirigente sindical.




