Gratuitidade nos transportes do Porto deve ser acompanhada de investimento
O PCP, em conjunto com os seus parceiros na coligação CDU, valorizou, no dia 13, a entrada em vigor dos transportes públicos para os residentes na cidade do Porto abrangidos pelo cartão Porto, mas alertou que esta não pode ser uma «medida isolada», desligada da capacidade real da rede de transportes».
«A redução dos custos com a mobilidade constitui uma medida positiva para a população e pode contribuir para aumentar a utilização do transporte colectivo», salienta a coligação PCP-PEV em nota de imprensa. A abstenção dos eleitos da CDU aquando da discussão da medida não representou qualquer oposição à gratuitidade, foi antes um «alerta político» sobre a sua aplicação sem um «plano suficientemente claro de reforço da oferta, sem a necessária articulação metropolitana e sem garantia de financiamento nacional».
A previsível subida do número de passageiros, explica a coligação, não pode traduzir-se em mais sobrelotação, maiores tempos de espera, supressões de viagens ou degradação das condições de transporte. «Eliminar o preço é importante, mas os utentes precisam também de frequência, cobertura, pontualidade, fiabilidade e conforto», lê-se na nota.
Assim, a CDU exige que Câmara Municipal, em articulação com a Transportes Metropolitanos do Porto, a STCP, a Metro do Porto e o Governo, apresente um plano de reforço da oferta que acompanhe o aumento da procura, identificando operadores, linhas, horários e períodos de maior utilização; medidas que assegurem os veículos e os trabalhadores necessários; dados regulares sobre procura, lotação, atrasos, supressões e reclamações dos utentes.
Climatização nos veículos
A CDU exigiu igualmente um plano imediato de verificação, manutenção e melhoria dos sistemas de climatização dos veículos e medidas de contingência para os períodos de temperaturas mais elevadas. As recentes situações de calor excessivo que levaram, no dia 3, à retirada de várias composições do Metro do Porto devido a falhas no sistema de ar condicionado, comprovaram as limitações reconhecidas na refrigeração dos transportes da cidade. «Viajar em veículos sobrelotados e sem climatização eficaz não constitui uma condição digna de transporte e pode representar um risco acrescido para crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde», lê-se ainda na nota.




