Brasil defende os seus interesses face à imposição de taxas aduaneiras pelos EUA
A decisão da administração norte-americana de impor taxas aduaneiras de 25 por cento sobre produtos brasileiros entrou em vigor ontem, 22 de Julho. Esta decisão contou com a participação de Flávio Bolsonaro, candidato da extrema-direita às eleições presidenciais deste ano no Brasil, que tem estado frequentemente nos EUA, e particularmente na Casa Branca, manifestando o seu apoio a esta medida.
O candidato da extrema-direita, filho do antigo presidente Jair Bolsonaro – que se encontra preso por tentativa de golpe de Estado –, viu-se obrigado a pedir à administração norte-americana o adiamento da imposição destas taxas aduaneiras para depois das eleições presidenciais, pois considera que a sua entrada em vigor neste momento «fortaleceria politicamente» o presidente Lula da Silva. Registe-se que Flávio Bolsonaro tem vindo a ver o aumento da diferença que o separa nas sondagens face a Lula da Silva, Presidente do Brasil.
Estudos de opinião indicam que seis em cada 10 brasileiros acreditam que a imposição destas taxas aduaneiras é prejudicial para o país, verificando-se que sectores do grande capital brasileiro rejeitam igualmente esta medida. O governo brasileiro expressou publicamente o seu repúdio a esta medida e reafirmou a sua determinação em defender os interesses do Brasil, no momento em que reorganiza a sua política de exportações. O aumento do comércio com a China, a Índia e diversos países europeus têm ajudado a esbater o impacto das taxas aduaneiras agora impostas pelos EUA. Em apenas um ano, as exportações para a China aumentaram 17 por cento e para a Índia 14 por cento.
Segundo informações oficiais, 76 por cento das importações originárias dos EUA entraram no Brasil sem pagar qualquer taxa e a quota média efectivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1 por cento.




