Cuba: o debate que o Parlamento não quer fazer
Os Estados Unidos continuam a incrementar o criminoso cerco contra Cuba. As mais recentes medidas adotadas pela Administração norte-americana não se limitam a restringir as relações dos seus próprios cidadãos e empresas com a ilha: procuram punir ainda mais países, bancos e empresas estrangeiras que mantenham relações económicas com Cuba, agravando deliberadamente as dificuldades de acesso a energia, alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.
Foi perante este novo passo na política de bloqueio que, por iniciativa do deputado do PCP, João Oliveira, o Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica – A Esquerda no Parlamento Europeu, apresentou uma pergunta escrita à Comissão Europeia com pedido de debate. Pretendia-se confrontar a União Europeia com uma questão elementar: aceitará que os Estados Unidos decidam com quem podem comerciar os cidadãos, as empresas e os Estados que fazem parte da UE?
A pergunta exigia saber que medidas concretas tomaria a Comissão para contrariar esta ingerência e assegurar a aplicação efectiva dos instrumentos de que a União Europeia dispõe, designadamente o chamado Estatuto do Bloqueio.
O Parlamento Europeu entendeu que esta questão não merecia ser debatida em plenário.
A escolha é reveladora. Na sessão plenária anterior, o mesmo Parlamento encontrou tempo para aprovar uma insidiosa resolução contra Cuba. Um texto que procurou desligar a grave situação económica e social do país de mais de seis décadas de bloqueio, que perante a gravidade da actual situação que o país enfrenta, reclama mais sanções, aponta à suspensão do Acordo de Diálogo Político e de Cooperação entre a UE e Cuba e pretende ditar o rumo político daquele país.
Para exercícios de falsificação, de promoção de mentiras e desinformação, há tempo para debate, resolução e votação. Para discutir as medidas ilegais dos Estados Unidos, os seus nefastos efeitos sobre o povo cubano e a chantagem exercida sobre entidades e pessoas da União Europeia, impõe-se o silêncio. Um silêncio cúmplice com esta política de agressão.
Esta duplicidade desmente todas as proclamações sobre a chamada “autonomia estratégica” da UE. A União Europeia aceita que Washington imponha as suas leis fora do seu território, determine as relações comerciais de terceiros e castigue quem não acompanhe a sua política de cerco.
Continuaremos, no Parlamento Europeu, a exigir o fim do bloqueio e o respeito pelo direito do povo cubano a decidir soberanamente o seu caminho. Defender Cuba é defender o direito internacional, a soberania dos povos e a liberdade de todos os países face à ingerência e agressão imperialistas.




