InvestBraga eleva para quase 80 mil euros ajustes directos para Cimeira da Indústria
Após denunciar contratos da Câmara Municipal de Braga (CMB), dos TUB e da AGERE com o Observador para a Cimeira da Indústria 2026, a CDU revela agora um quarto ajuste directo ao mesmo jornal, desta vez celebrado pela empresa municipal InvestBraga.
«A Câmara de Braga não pode servir para garantir interesses privados»
Este ajuste directo da InvestBraga – Agência de Dinamização da Economia foi assinado a 25 de Maio de 2026, ou seja, no dia imediatamente anterior à realização da Cimeira da Indústria no Theatro Circo. Assim, o financiamento público da CMB e empresas municipais sobe para 79 987,99 euros.
Este ajuste directo é muito semelhante ao realizado pelos TUB e Agere, sendo por serviços de «organização da Cimeira da Indústria enquanto media partner, cobertura mediática, transmissão em streaming, serviços de host/moderação, produção de conteúdos editoriais nas plataformas do Observador, e integração da identidade visual da InvestBraga nos materiais de comunicação do evento».
A CDU considera que «um investimento desta natureza, mais do que ser dirigido a um órgão de comunicação privado com prejuízos, faria falta noutras áreas». Por outro lado, acrescenta, estes contratos contrariam «os princípios da transparência, da concorrência, da igualdade de tratamento e da boa gestão financeira que enformam o Código dos Contratos Públicos e o Regime Financeiro das Autarquias Locais» e aquilo que «deve ser o papel do Poder Local de proximidade às populações e ao concelho de Braga».
«Estamos, na prática, perante uma opção política que canaliza quase 80 mil euros de dinheiro público municipal para uma iniciativa privada de promoção editorial e ideológica, para afrontar os direitos dos trabalhadores, os cortes das despesas do Estado, a maximização do lucro das grandes empresas e um Estado ao serviço dos grandes grupos económicos», refere a Coligação PCP-PEV, criticando «esta lógica neoliberal que lesa as populações».
A CDU sustenta que os dados disponíveis apontam para uma possível repartição artificial e coordenada de despesa pública, uma vez que quatro entidades sob controlo ou influência decisiva do município terão celebrado contratos com o mesmo fornecedor, para objectos semelhantes e por valores próximos do limite legal para ajuste directo. Por fim, a coligação anunciou que iria exigir esclarecimentos ao presidente da CMB na Assembleia Municipal e participar os factos à Inspecção-Geral de Finanças, ao Tribunal de Contas e à Direcção-Geral das Autarquias Locais, com vista ao apuramento completo das circunstâncias que envolveram estes contratos.




