- Nº 2743 (2026/06/25)Após denunciar contratos da Câmara Municipal de Braga (CMB), dos TUB e da AGERE com o Observador para a Cimeira da Indústria 2026, a CDU revela agora um quarto ajuste directo ao mesmo jornal, desta vez celebrado pela empresa municipal InvestBraga.
Este ajuste directo da InvestBraga – Agência de Dinamização da Economia foi assinado a 25 de Maio de 2026, ou seja, no dia imediatamente anterior à realização da Cimeira da Indústria no Theatro Circo. Assim, o financiamento público da CMB e empresas municipais sobe para 79 987,99 euros.
Este ajuste directo é muito semelhante ao realizado pelos TUB e Agere, sendo por serviços de «organização da Cimeira da Indústria enquanto media partner, cobertura mediática, transmissão em streaming, serviços de host/moderação, produção de conteúdos editoriais nas plataformas do Observador, e integração da identidade visual da InvestBraga nos materiais de comunicação do evento».
A CDU considera que «um investimento desta natureza, mais do que ser dirigido a um órgão de comunicação privado com prejuízos, faria falta noutras áreas». Por outro lado, acrescenta, estes contratos contrariam «os princípios da transparência, da concorrência, da igualdade de tratamento e da boa gestão financeira que enformam o Código dos Contratos Públicos e o Regime Financeiro das Autarquias Locais» e aquilo que «deve ser o papel do Poder Local de proximidade às populações e ao concelho de Braga».
«Estamos, na prática, perante uma opção política que canaliza quase 80 mil euros de dinheiro público municipal para uma iniciativa privada de promoção editorial e ideológica, para afrontar os direitos dos trabalhadores, os cortes das despesas do Estado, a maximização do lucro das grandes empresas e um Estado ao serviço dos grandes grupos económicos», refere a Coligação PCP-PEV, criticando «esta lógica neoliberal que lesa as populações».
A CDU sustenta que os dados disponíveis apontam para uma possível repartição artificial e coordenada de despesa pública, uma vez que quatro entidades sob controlo ou influência decisiva do município terão celebrado contratos com o mesmo fornecedor, para objectos semelhantes e por valores próximos do limite legal para ajuste directo. Por fim, a coligação anunciou que iria exigir esclarecimentos ao presidente da CMB na Assembleia Municipal e participar os factos à Inspecção-Geral de Finanças, ao Tribunal de Contas e à Direcção-Geral das Autarquias Locais, com vista ao apuramento completo das circunstâncias que envolveram estes contratos.