Irão reafirma que não negoceia sob pressão

O Irão confirmou que está a analisar a resposta dos EUA à sua proposta de 14 pontos, anteriormente apresentada, visando alcançar uma solução para pôr fim às agressões dos EUA e de Israel.

Irão apresenta nova proposta com vista ao fim das agressões dos EUA e de Israel

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano declarou na segunda-feira, 4, que a posição norte-americana foi transmitida através do Paquistão e se encontra actualmente em fase de estudo, sem dar pormenores adicionais. O porta-voz explicou que o plano iraniano assenta no cessar das hostilidades, começando com um cessar-fogo temporário seguido de um período de 30 dias para negociar aspectos pendentes. Sublinhou que a questão nuclear não faz parte da iniciativa e reiterou que o Irão não aceita negociações sob pressão ou ameaças. A proposta iraniana surgiu em resposta a uma proposta norte-americana, no quadro dos esforços diplomáticos mediados pelo Paquistão. Nas negociações celebradas no dia 11 em Islamabad, capital paquistanesa, não se lograram avanços concretos para um acordo.

A 28 de Fevereiro, os EUA e Israel desencadearam uma agressão militar contra o Irão, que provocou mais de três mil mortos, antes da resistência iraniana forçar os EUA e Israel a cessarem os ataques a 8 de Abril. Diversas agências de comunicação dão nota que a maioria das bases militares norte-americanas no Médio Oriente foi seriamente danificada pela acção retaliatória do Irão.

Irão apresenta proposta de 14 pontos

A proposta de 14 pontos apresentada pelo Irão contém um roteiro para pôr fim às agressões dos EUA e de Israel. O documento inclui as principais “linhas vermelhas” de Teerão, assim como mecanismos concretos orientados para uma solução do conflito.

A nova proposta iraniana poderá ser um passo nos esforços diplomáticos, num cenário marcado pela incerteza e fragilidade do cessar-fogo. No essencial, inclui: pagamento de reparações ao Irão; levantamento de sanções ao Irão; desbloqueamento de activos iranianos retidos no exterior; retirada das tropas dos EUA dos países vizinhos do Irão; garantias claras de não agressão dos EUA ao Irão; levantamento do bloqueio marítimo aos portos do Irão; aceitação pelos EUA de um novo regime jurídico no Estreito de Ormuz; cessação completa da agressão de Israel contra o Líbano.

No caso de aceitação das suas propostas, o Irão está disposto a considerar o desbloqueamento do Estreito de Ormuz e, subsequentemente, a discutir o destino do urânio enriquecido. O Irão não tenciona discutir o programa nuclear pacífico e fez saber que o presidente dos EUA, Donald Trump, tem de escolher entre um “mau acordo” e a continuação da guerra. Não será possível ter o melhor de dois mundos, considera.

Estreito de Ormuz: Irão adverte EUA

A segurança no Estreito de Ormuz está sob o controlo do Irão e qualquer trânsito seguro realiza-se com autorização das suas forças armadas, afirmou o general Ali Abdolahí, chefe do quartel-general central do comando militar iraniano. «Qualquer força armada estrangeira, especialmente a dos EUA, que tente acercar-se ou entrar no Estreito de Ormuz será alvo de ataques», afirmou o responsável. Recomendando em seguida a todos os navios comerciais e petroleiros «que se abstenham de realizar qualquer acção sem coordenação com as forças armadas iranianas colocadas no Estreito de Ormuz, para não se expor a perigos».

Antes, o presidente norte-americano anunciou a mobilização de contratorpedeiros, aeronaves, plataformas não-tripuladas, mísseis e 15 mil efectivos, para o Estreito de Ormuz. Entretanto, foi anunciado que os EUA gastaram, só em munições, 21 mil milhões de euros nos dois meses da sua guerra de agressão contra o Irão.

 



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