Força e confiança no 105.º aniversário do PCP

Depois do grande comício de dia 6, em Lisboa, avançam por todo o País as comemorações do 105.º aniversário do PCP, sob o lema «Projecto. Luta. Confiança». Esta semana, destaque para o comício de dia 13, no Porto, e o almoço de dia 15, no Seixal, que contaram com a participação do Secretário-Geral do Partido.

Coragem, foi o desafio lançado, no Porto, por Paulo Raimundo ao grupo que classificou como o consenso neoliberal – PSD, CDS, IL, Chega e também PS. Coragem,disse, para salvar o SNS, para fixar profissionais, para garantir casas para viver, para defender a escola pública e a cultura. Coragempara aumentar salários e pensões. Coragem para valorizar o trabalho e a produção nacional. Coragem para apoiar os pequenos e médios empresários, garantir os direitos das crianças e a segurança de todos. Isto, sim, seria coragem. E não a política que tem sido levada a cabo em sentido exactamente contrário.

Perante o pavilhão da Escola Básica e Secundária Carolina Michaëlis, repleto para o comício de aniversário do PCP, na passada sexta-feira à noite, o Secretário-Geral avançou com confiança rumo ao alargamento de uma base social que combata os lucros extraordinários dos grandes grupos económicos.

«Porque vivemos também com um custo de vida insuportável. Aumentam os preços dos combustíveis, dos alimentos e dos bens essenciais. E os lucros das grandes empresas continuam a crescer. Não aceitamos. É preciso mobilizar esses lucros extraordinários para responder às necessidades do País. É preciso travar o aumento dos preços, regular e fixar preços de bens essenciais e garantir justiça económica», referiu na sua intervenção.

Dificulta-se o dia-a-dia

As dificuldades crescentes que o povo sente são, afirmou sem hesitar o dirigente, o resultado da política de direita, que «falha e continuará a falhar» na resposta aos problemas. «Que o digam os milhares e milhares de pessoas que vivem com salários baixos, com promessas sempre anunciadas, mas nunca cumpridas. É este o resultado de um país entregue aos grandes grupos económicos e às multinacionais, que procuram determinar as opções políticas, a economia, a cultura e a ideologia do País, com o objectivo de dominar o plano social».

Paulo Raimundo deixou claro, ao longo da noite, que o Partido sabe quem e quais os meios que enfrenta, mas eles também sabem bem quem são os comunistas. «Somos a força dos trabalhadores que todos os dias constroem o país. Somos a força de quem resiste e luta por uma vida melhor. Com esta extraordinária capacidade de resistência, afirmamos um Partido mais forte, mais enraizado entre o povo, mais preparado para afirmar a soberania e defender os interesses da maioria. Mais Partido, mais luta, mais força, mais gente».

105 anos de patriotismo e internacionalismo

A intervenção do Secretário-Geral percorreu também os 105 anos do PCP. Um Partido patriótico e internacionalista, com os olhos postos na superação do capitalismo e na construção de uma sociedade nova, o socialismo e o comunismo. Um Partido de luta e de vistas heróicas, um partido do combate ao fascismo. Um Partido que, num tempo marcado pela confrontação, pelo militarismo e pela guerra – como vemos na Palestina, na Venezuela, em Cuba e agora de forma particularmente evidente no Irão – reafirma: «Somos, orgulhosamente, há 105 anos anti-imperialistas».

O comício contou ainda com uma saudação ao aniversário do Partido feita por Rita Fernandes, da JCP, que deu conta das várias lutas que percorreram o distrito, como na Escola Secundária da Maia ou na Escola Artística Soares dos Reis. A jovem comunista abordou ainda o trabalho preparatório para o 14.º Encontro Regional do Porto, convocado para dia 23 de Maio.

Em nome da Direcção da Organização Regional do Porto, Matilde Lima falou sobre os ataques ao SNS: as tentativas de privatização, a transferência de verbas públicas para o negócio da doença ou os encerramentos de urgências, como no Hospital de Valongo.

Houve espaço para um surpreendente momento cultural que juntou poesia e música, dando o tom a uma noite de celebração e intervenção política.

 

Almoço no Seixal destaca lutas sociais e defesa da paz

Cerca de 600 pessoas participaram, domingo, no almoço comemorativo do 105.º aniversário do PCP, realizado no Pavilhão Multiusos da Quinta da Marialva, em Corroios, Seixal. O cravo rubro esteve presente em todas as mesas e foi erguido pelos participantes durante as intervenções políticas. No espaço destacava-se uma grande faixa com a mensagem «Contigo todos os dias – Direitos, salários, saúde, habitação». No final, cantaram-se os parabéns ao Partido, com o Secretário-Geral, Paulo Raimundo, a apagar as velas de um bolo de aniversário repartido por todos.

A sessão iniciou-se com uma intervenção de Diogo Sezões, membro da Organização de Freguesia de Arrentela, que sublinhou o significado do lema das comemorações, «Projecto, Luta, Confiança», lembrando que, ao longo de 105 anos, não houve avanços no País sem a intervenção dos comunistas portugueses. Destacou o papel do Partido na resistência ao fascismo, nas conquistas da Revolução de Abril e na luta em defesa dos direitos, das liberdades, da soberania nacional e da paz. Em nome da Organização Concelhia do Seixal, agradeceu ainda o contributo de todos os militantes e amigos que participaram na preparação da iniciativa.

De seguida, apresentou a composição da mesa do comício, que integrou Mariana Oliveira, do executivo da Organização Regional de Setúbal da JCP; David Pires, Emília Boleta, Hugo Ferraz, Almira Santos, Sandra Barão e Miguel Silva, das organizações de freguesia do concelho; Mário Roque, da Célula dos Professores; Ana Apolinário, da Célula dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Seixal; Hugo Constantino, da Comissão Concelhia do Seixal e presidente da Junta de Freguesia de Corroios; Paulo Silva, da Comissão Concelhia do Seixal e da DORS e presidente da Câmara Municipal do Seixal; Jorge Gonçalves, dos Organismos Executivos da Comissão Concelhia do Seixal e da DORS; João Pauzinho, dos Organismos Executivos da DORS, membro do Comité Central e responsável pela organização do Seixal; João Frazão, da Comissão Política do Comité Central e responsável pela Organização Regional de Setúbal; e o Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo.

Juventude e Semana Nacional de Luta dos Estudantes

Na intervenção da JCP, Mariana Oliveira destacou o papel da juventude na luta por melhores condições de vida, estudo e trabalho. Referiu as recentes mobilizações de estudantes em escolas da região, como na Moita e em Almada, exigindo obras e melhores condições. No quadro destas mobilizações, sublinhou a realização de uma Semana Nacional de Luta dos Estudantes do Ensino Secundário, entre 23 e 27 de Março, e apelou à participação na Manifestação Nacional de Estudantes, no dia 24 de Março, em Lisboa (ver pag. 7).

Luta dos trabalhadores e reforço do PCP no Seixal

Jorge Gonçalves falou sobre a intervenção do Partido junto dos trabalhadores e das populações do concelho, destacando a luta pela construção do Hospital do Seixal, pela extensão do Metro Sul do Tejo, pela melhoria das ligações ferroviárias e fluviais com Lisboa e pela defesa da escola pública. Referiu a oposição à ampliação do aterro sanitário da Amarsul e à privatização da empresa.

Sublinhou ainda a importância de reforçar a organização do Partido no concelho, destacando a preparação da 14.ª Assembleia da Organização Concelhia do Seixal do PCP, prevista para Novembro.

Direitos laborais e política de paz

Na véspera de uma reunião entre Governo, UGT e confederações patronais, sem a CGTP-IN, sobre alterações à legislação laboral, Paulo Raimundo defendeu que o chamado pacote laboral «foi rejeitado e tem que ser derrotado de uma vez por todas», recordando as lutas realizadas pelos trabalhadores, desde a greve geral de 11 de Dezembro até às manifestações de 28 de Fevereiro. Considerou, por isso, que a Intersindical Nacional «fez bem» em deslocar-se, na segunda-feira, ao Ministério do Trabalho (ver pag. 19).

O Secretário-Geral do PCP acusou o Governo de servir interesses patronais e criticou propostas que, segundo afirmou, aumentam a precariedade, facilitam despedimentos e desregulam horários. Paulo Raimundo abordou também a situação internacional, defendendo uma política externa assente na paz, na cooperação entre os povos e no respeito pelo direito internacional, alertando para os perigos da militarização e da escalada de conflitos.

Concluiu sublinhando que os 105 anos do PCP representam um percurso de luta ao lado dos trabalhadores e do povo português, reafirmando a necessidade de reforçar a organização e a intervenção do Partido: «Um PCP mais forte é preciso e é possível».

 

Comemorações prolongar-se-ão durante o mês

Para além das iniciativas centrais já realizadas, em Lisboa, no Porto e no Seixal, está agendado um jantar comemorativo na Nazaré, para dia 21 (na Biblioteca de Instrução e Recreio, em Valado de Frades), e um almoço em Avis, para dia 22 (no Pavilhão Multiusos de Benavila). Ambas contarão com a participação do Secretário-Geral do Partido. Estas entre tantas outras que se estão a realizar por todo o País (ver agenda nas páginas 30 e 31).

No dia 15, em Guimarães realizou-se um almoço comemorativo nas instalações do Grupo Cultural e Recreativo Os Trovadores do Cano, marcado por um ambiente de confraternização. Interveio Belmiro Magalhães, membro da Comissão Política, que recordou o contributo dos comunistas portugueses em todos os avanços para os trabalhadores que se registaram no País ao longo dos últimos 105 anos.

Antes, no dia 7, em Vila do Conde, realizou-se outro almoço que juntou mais de uma centena de militantes e simpatizantes, que contou com a intervenções de Afonso França, da JCP, Nádia Marques, da comissão concelhia local, e Jaime Toga, da Comissão Política.

 



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