Cruzadas imperialistas

Jorge Cadima

Viva a luta dos povos

Mais uma guerra. Mais uma agressão ilegal e não provocada. Mais um ataque no meio de negociações, à má-fé. Mais uma avalanche de propaganda para condenar a vítima e não o agressor. A guerra de Israel-EUA contra o Irão começou, logo no primeiro dia, com um ataque terrorista a uma escola primária para raparigas no sul do Irão. O saldo foi de 165 mortos, na sua grande maioria crianças. Dirão que é para defender os direitos das mulheres e a democracia. Os autores da chacina são os mesmos de Gaza, com os seus milhares de crianças mortas. Já foram apelidados a “Coligação Epstein”. A sua fixação em destruir a vida de crianças não é normal. Não é humana.

Os lacaios “europeus” são o que sempre foram. Von der Leyen e Costa «apelam à contenção», mas não condenam a agressão de EUA-Israel, nem sequer o ataque a escolas e hospitais. Tal como no genocídio em Gaza, só condenam a resistência. A sua preocupação é que o Irão se esteja a defender. Apesar de os alvos serem bases militares dos EUA, Macron, Merz e Starmer afirmam em declaração conjunta: «condenamos da forma mais veemente os ataques iranianos aos países da região.» Mas não condenam, nem timidamente, a agressão que lhes deu origem. Porque são “parceiros” do agressor. Como dizem, estão «em contacto estreito com os nossos parceiros, incluindo Estados Unidos e Israel». Já anunciaram ir juntar-se ao ataque. O primeiro-ministro do Canadá, Carney, passada Davos, também condena o Irão mas não o agressor. Voltou a «pôr o cartaz na montra». Os discursos sobre os “autoritarismos” e “imperialismos” deram lugar à Santa Aliança, mesmo que a dirigir a nova Cruzada seja a Ordem dos Trumplários.

A natureza dos dirigentes imperialistas está à mostra. Eles são Gaza. São Auschwitz. São Hiroxima. São as armas de destruição em massa sobre o Vietname e a Coreia. São as Guerras Mundiais. São o colonialismo e o nazi-fascismo. São o extermínio das populações indígenas das Américas colonizadas. São o tráfico de milhões de seres humanos escravizados. Acham-se no direito de possuir os outros para alimentar a sua riqueza, o seu poder, os seus consumos e taras obscenas.

Quem ache que isto é exagero pode ler o discurso de Marco Rubio, MNE dos EUA, na Conferência de Segurança de Munique: «Durante cinco séculos, antes do final da II Guerra Mundial, o Ocidente estava em expansão – os seus missionários, os seus peregrinos, os seus soldados, os seus exploradores lançavam-se das suas costas para atravessar oceanos, povoar novos continentes, construir vastos impérios que se estendiam por todo o globo. Mas em 1945, pela primeira vez desde a época de Colombo, estava a contrair-se. A Europa estava em ruínas. Metade vivia atrás duma Cortina de Ferro e parecia que o resto se iria rapidamente seguir. Os grandes impérios ocidentais tinham entrado em declínio terminal, acelerados pelas revoluções comunistas ateias e pelos levantamentos anti-coloniais que iriam transformar o mundo e plantar a bandeira vermelha da foice e martelo em vastas extensões do mapa nos anos que se seguiriam». Rubio assume, ufano, a história dos crimes da expansão do capitalismo. Incluindo os “missionários” da Wehrmacht que «antes do final da II Guerra Mundial» se lançaram à conquista da Europa toda. Os povos comemoram a Vitória de 1945 sobre o nazi-fascismo. Rubio lamenta-a. E proclama novas Cruzadas para impor «a era de dominação ocidental». É a isso que estamos a assistir. Viva a luta e resistência dos povos!

 



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