Agressão ao Irão – paralelismos

Ângelo Alves

Os EUA e Israel consumaram mais uma agressão ao Irão. As consequências desta flagrante violação do Direito Internacional serão muito sérias para a região e para o Mundo. Este novo crime dos EUA e de Israel era já esperado, apesar de os EUA terem continuado cinicamente a participar nas negociações ao mesmo tempo que concretizavam uma das maiores concentrações de meios militares da História no Médio Oriente.

A propaganda de guerra imperialista é difundida pela rede mundial de desinformação e é inevitável fazer o paralelismo histórico com a agressão ao Iraque em 2003. Quer num caso quer noutro a questão das “armas de destruição maciça”, da “de regimes ditatoriais patrocinadores do terrorismo”, do combate ao “eixo do mal” (no caso do Iraque) ou ao “eixo do caos” (no caso do Irão) são linhas de propaganda que tentam sustentar uma agressão ilegal cujo real objectivo é a eliminação de qualquer resistência ao domínio imperialista e sionista sobre a região, os seus recursos e as suas relações internacionais.

O próprio “modus operandi” é similar a 2003. Tal como agora, também na guerra do Iraque estavam em curso negociações diplomáticas. E, tal como no Iraque, também no Irão a agressão foi precedida de um longo período de sanções e manobras de ingerência externa. Tal como no Irão, onde se tenta um golpe de Estado para colocar no poder os herdeiros da ditadura dos Xás ao serviço dos EUA, também no Iraque se tentou a utilização de grupos no exílio às ordens dos EUA. E tal como em 2003 também a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha acabam por apoiar a agressão.

Por último, o envolvimento de Portugal. Se, em 2003, o Governo português foi o “mordomo” da Cimeira da Guerra de Aznar, Bush, Blair e Barroso na Base das Lajes, agora essa base é usada para “comando e controlo” da agressão ao Irão e o Governo português assume um vergonhoso alinhamento com Trump, colocando-se inclusive em contradição com o posicionamento do Secretário-Geral da ONU, condenando não a agressão ao Irão, mas a sua legítima defesa e retaliação.

Por fim relembremos que em 2003 surgiram as “manifestações” orquestradas em “defesa da libertação do Iraque”, tal como agora com o Irão, e que todos os que se colocaram contra a guerra eram acusados de “defender ditadores”. Mas também é preciso recordar que, apesar disso, em 2003 o povo português saiu à rua unido e em massa para exigir o fim da guerra. Vamos então à luta, todos juntos contra a guerra!

 



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