O trabalho das mulheres
A CGTP-IN publicou na semana passada dados muito importantes sobre o trabalho das mulheres em Portugal.
41% das mulheres trabalhadoras, mais de 931 mil, trabalham por turnos, ao serão, à noite, ao fim de semana, têm bancos de horas, adaptabilidade, ou uma combinação disto tudo. Só 20% têm um horário regular.
Um milhão e 200 mil mulheres, 58,7% das que trabalham, recebiam em Novembro menos de mil euros brutos. 411 mil ganhavam o salário mínimo nacional. Quatro em cada cinco mulheres recebiam até 1500 euros brutos. Para as que têm vínculos de trabalho precários, o salário desce em média 20%.
As mulheres têm rendimentos salariais líquidos inferiores em 14,4% relativamente aos dos seus colegas homens. Uma média de menos 205 euros por mês. E para quem acha que tudo se resolve com mais formação, desengane-se. A diferença agrava-se quando as qualificações são mais elevadas: se o diferencial é de 3,8% no trabalho não qualificado, muito pela existência do salário mínimo nacional, passa a ser de 25,4% nos quadros superiores, com uma diferença média de menos 729 euros.
Uma em cada dez trabalhadoras é pobre. Seriam o dobro, se não não existissem apoios sociais.
140 mil trabalhadoras têm mais do que um emprego oficial, número que tem aumentado. Não estão aqui as que fazem umas horas quando saem do emprego principal e recebem por fora, e que são seguramente uns quantos milhares mais.
Apesar desta realidade tão dura, as mulheres não estão de braços caídos. Empurram o País para a frente, trabalham com brio, cuidam dos que lhe são queridos, tentam ser felizes. Lutam muito. São 17 mil das 30 mil novas sindicalizações do ano passado, mais de metade dos delegados sindicais eleitos. E estarão no domingo em 19 cidades, a comemorar em luta o 8 de Março nas manifestações promovidas pelo MDM.




