Situação no Japão é «perigosa» e «sem precedentes»
A chefe do governo do Japão, Sanae Takaichi, do Partido Liberal Democrático, ganhou as eleições legislativas antecipadas de 8 deste mês, alcançando mais de dois terços dos assentos na câmara baixa do parlamento. Este resultado permite-lhe manter-se como primeira-ministra, cargo que assumiu em Outubro, e ter maior poder para impulsionar a sua agenda política reaccionária e militarista, na qual figura uma proposta para alterar a Constituição do Japão.
O Partido Comunista Japonês (PCJ) emitiu um comunicado analisando os resultados eleitorais e a situação no país, considerando que o resultado constituiu um revés, com os seus eleitos reduzidos de oito para quatro. O PCJ obteve 4,40% dos votos (2.519.000), quando nas eleições gerais anteriores tinha conquistado 6,16% (3.362.000) do total.
O PCJ avalia a situação actual do Japão como «perigosa» e «sem precedentes» no pós-Segunda Guerra Mundial, considerando o objectivo do governo de direita japonês de militarizar de novo o país, em que se insere a proposta de rever a Constituição.
Durante a campanha eleitoral, o PCJ opôs-se a esta pretensão de avanço reaccionário e militarista, afirmando com veemência que a política autoritária do governo japonês não deve ser tolerada e que não lhe deve ser concedido um cheque em branco para a revisão constitucional. O PCJ condenou também a subordinação do Japão aos EUA e a defesa pelo governo japonês dos «interesses das grandes corporações».
Considerando que, neste momento histórico, o papel do PCJ é ainda mais indispensável, os comunistas japoneses garantem que vão continuar a participar nas lutas populares para recusar a política autoritária do governo e defender e promover a paz, os direitos, as condições de vida e a democracia.
«Caminhos militaristas»
A China exigiu que a primeira-ministra do Japão se retrate dos seus comentários sobre Taiwan, para que seja possível encetar um real diálogo. Responsáveis chineses garantem que um diálogo genuíno requer respeito mútuo e o cumprimento de consensos prévios. «Quem proclama diálogo enquanto impulsiona acções hostis não encontrará interlocutores», destacam.
As autoridades chinesas recordam igualmente que o Japão tem desenvolvido armamento ofensivo, esvaziando os fundamentos pacifistas da Constituição japonesa. Essas acções, concluem, enquadram-se num regresso a caminhos militaristas do passado.
A Constituição do Japão, de 1947, proíbe expressamente a manutenção no país de forças militares com capacidade ofensiva. Desde o final da Segunda Guerra Mundial que permanecem no Japão dezenas de milhares de militares norte-americanos, em dezenas de bases militares.




