Insubmissas e lutadoras, as mulheres têm candidato
O Espaço Santa Catarina, em Lisboa, acolheu, na tarde de dia 8, um encontro com centenas de mulheres. «Insubmissas e lutadoras», como se afirmam num folheto de apoio, as mulheres têm em António Filipe o candidato que defende os seus direitos.
«Diz mulher / ao teu país / como lutaste até hoje»
«O artigo 1.º da Constituição diz uma coisa muito simples: “Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana”. É em função desse princípio primeiro que partem todos os direitos fundamentais […]. Daí decorre o princípio da igualdade», lembrou.
O candidato recordou como, em matéria de direitos das mulheres, a Constituição «foi um salto gigantesco». Desde logo no direito da família, impondo a igualdade entre cônjuges e assegurando plenamente o direito ao divórcio.
No entanto, assinalou, «havendo um copo meio-cheio, ainda temos um copo muito vazio». É assim com a discriminação salarial e a incidência feminina do trabalho precário, mas, também, com o direito à IVG, «“torpedeado”no dia-a-dia», e as inúmeras violências por que as mulheres passam, como a prostituição ou a violência doméstica e no namoro. «Os direitos das mulheres têm que ver com tudo», afirmou.
Ao lado de quem está ao seu lado
O encontro, conduzido pela advogada Sandra Esteves, iniciou com um conjunto de depoimentos.
Filipa Brás leu a declaração de Zaida Alves, que confessou encontrar no candidato um «projecto político sólido, de justiça social e igualdade».
Susana Canato, trabalhadora da grande distribuição, lembrou que «é neste sector, maioritariamente feminino, que se concentram algumas das práticas mais precárias». Leonor Galamba, activista do MDM, denunciou quem pretende «resgatar concepções de posse no namoro» e «desviar as mulheres da esfera pública».
Julie Neves, dirigente do CPPC, destacou o papel das mulheres na luta pela paz, afirmando que «sabemos quais as consequências da guerra e quem mais sofre com elas».
O encontro contou com dois momentos culturais. Isabel Medina, actriz e realizadora, declamou versos de O vermelho por dentro, de Ana Hatherly, e de Diz, de Maria Teresa Horta: «Diz mulher / ao teu país / como lutaste até hoje».
Luísa Amaro, música, para quem «todos temos o direito a sermos felizes», tocou na guitarra Canção para Carlos Paredes, Mudar de Vida e, claro, o incontornável Verdes Anos.




