Contacto a contacto, com os trabalhadores e a sua luta

Em contacto com os trabalhadores da Exide, no dia 4, na Castanheira do Ribatejo, Paulo Raimundo notou que o Governo está preocupado com a greve geral de dia 11 e que «tem razões para isso». «Vieram com uma “grande peitaça”, “inchados” com o pacote laboral e as suas “medidas inquestionáveis”. Rapidamente perceberam que os trabalhadores iriam reagir e o anúncio da greve geral pela CGTP-IN abanou-os», afirmou. «Agora passaram para o desespero, para a ofensiva, provocação e manobras», acusou o Secretário-Geral, afirmando que quem recorre a esses meios tem «pouca confiança» no que faz e diz.

Na Exide, os trabalhadores aguentam «todos os dias e a toda a hora, 24 sobre 24 horas, montam as baterias, carregam os camiões e tudo o mais que for preciso». Ora, se «têm força para garantir isto, também têm força para lutar pelos direitos», incentivou o Secretário-Geral. No mesmo local, mas em declarações à imprensa, quando questionado se existia ainda a possibilidade de impedir a greve por via de negociações, Paulo Raimundo explicou que bastaria o Governo retirar todo o seu pacote laboral: «Se retirar a proposta, os trabalhadores vêm trabalhar no dia 11 e fica toda a gente mais feliz», ironizou. «Não temos nenhuma ilusão, o pacote laboral tem 100 medidas e não é pela retirada desta ou daquela que se altera o seu conteúdo fundamental», «é mau por inteiro, tem de ser todo retirado».

Anteontem, dia 8, num almoço em Alpiarça, Paulo Raimundo voltou a abordar o pacote laboral e a lembrar as razões que explicam a justeza da greve geral, como o incremento da precariedade e da exploração, despedimentos sem justa causa, a instabilidade na vida e, por exemplo, as limitações ao direito de greve.

Já ontem, dia 9, na Visteon, em Palmela, o Secretário-Geral contactou com os trabalhadores e deu, como disse, «um modesto contributo para o esclarecimento e mobilização» para dia 11.

 

Na Assembleia

No dia 5, nas perguntas endereçadas ao primeiro-ministro no debate quinzenal, Paulo Raimundo insistiu nos níveis de precariedade no País (cerca de 30 por cento de contratos precários) e acusou a proposta do Governo de representar «ainda mais precariedade, mais banco de horas, mais desregulação dos horários e da vida de quem trabalha, mais pressão sobre os salários e despedimentos sem justa causa».

«Não há nenhum artigo, nenhuma lei que impeça um trabalhador efectivo com segurança, se quiser, de se despedir e ir trabalhar para onde bem entender», acrescentou ainda o deputado, debelando assim um dos principais argumentos utilizado pelo executivo para sustentar o agravamento da precariização das relações laborais.



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