Custo de oportunidade

João Frazão

Segundo a Internet, o custo de oportunidade é “o valor da melhor alternativa que foi renunciada ao fazer uma escolha. É o benefício que se deixa de obter ao escolher uma opção em detrimento de outra”. Foi sobre isto que o ministro das Finanças foi falar, na primeira aula de uma iniciativa do Ministério da Educação “Educar para a cidadania”, numa escola de Lisboa para falar de poupança, num contributo para a literacia financeira. Os registos da comunicação social vão para além do que se poderia imaginar, revelando o quão funda é a opção de classe deste governo.

Perante mais de centena e meia de alunos da Escola Secundária José Gomes Ferreira, Miranda Sarmento discorreu sobre as melhores formas de investir dinheiro, deu explicações de como evitar erros e fraudes, trocou por miúdos o funcionamento do sistema bancário, fez mesmo a sugestão de que a “melhor coisa” para os seus interlocutores era colocar o dinheiro que cada um consiga juntar em depósitos a prazo e em fundos, acções e obrigações, apontando para que cada um pense nos produtos bancários “diversificados” à sua disposição. «A melhor opção que têm é abrir uma conta no banco e colocar uma parte em fundos que possam ter mais retorno (depósitos e fundos)», terá mesmo alvitrado o ministro.

Como é possível que, perante as fundas dificuldades por que passa a esmagadora maioria das famílias (e, por maioria de razão dos estudantes), perante o agravar do custo de vida, perante o esmagamento dos salários, de que o Salário Mínimo Nacional, que não sai da cepa torta, é apenas um exemplo, o ministro das Finanças venha sugerir poupanças e investimentos em acções e obrigações?

O ministro das Finanças tinha, isso sim, obrigação de explicar qual a alternativa que se tem, com salários de 870 euros, tantas vezes o único dinheiro que entra em casa, com rendas que são superiores a esses valores, com custos de frequência na educação que sobem a cada ano que passa, com o desporto e a cultura, essenciais para o desenvolvimento saudável das jovens gerações, a preços proibitivos para a maioria?

A pensar nos filhos da burguesia, por onde se move e a quem serve, ainda usou a velha máxima liberal contra o Estado que diz que «só há duas coisas certas na vida: a morte e pagamento de impostos», fingindo não saber que uma boa parte dos pais daqueles jovens nem pagam impostos directos porque os salários são demasiado baixos.

Por falar em custo de oportunidade, sempre se pode dizer que o ministro perdeu mas foi uma bela oportunidade para ficar calado.



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