A Leste algo de novo

Gustavo Carneiro

Da República Socialista do Vietname chegam notícias inspiradoras.

A campanha de eliminação de habitações temporárias e precárias, que se deveria desenvolver até 2030, foi concluída em apenas 16 meses, antecipando em mais de cinco anos o prazo previsto: 255 mil casas foram construídas e 79 mil reabilitadas. Se os números impressionam, a forma como foram alcançados emociona. Para além da mobilização de avultados recursos financeiros, envolvendo instituições públicas e privadas e contribuições comunitárias, o trabalho voluntário foi o elemento determinante: foram mais de 2,7 milhões de dias de trabalho oferecido por vizinhos, organizações sociais e militares do Exército do Povo do Vietname. A Juventude Comunista Ho Chi Minh contribuiu com mais de 485 mil jornadas, designadamente em zonas montanhosas e remotas.

Lançada a nível nacional, a campanha “Todo o país une esforços para eliminar casas temporárias e precárias” teve dinâmicas locais muito próprias, dinamizadas criativamente pelas comunidades e apoiadas pelas estruturas do Partido Comunista. Em Lam Dong, “Uma mão para uma casa” mobilizou vizinhos para construir e requalificar moradias para as famílias necessitadas. Na província de Tuyen Quang incentivou-se a doação de terras para construção, sob o mote “A terra é de ouro, mas a solidariedade não tem preço”. A organização de “equipas de troca de trabalho”, baseadas na ajuda mútua, foi uma solução encontrada em Lao Cai.

Na cerimónia pública de encerramento da campanha, vários grupos foram condecorados pela dedicação e empenho colocados neste «projecto histórico, fruto da vontade do Partido [Comunista do Vietname] e do coração do povo», como a designou na ocasião o primeiro-ministro, Pham Minh Chinh.

Empenhado em exaltantes tarefas de construção nacional, o povo vietnamita não esquece os seus amigos: há dias, o embaixador de Cuba em Hanói recebeu do presidente do Comité Central da Frente Patriótica do Vietname 23,3 milhões de dólares (a acrescer aos 15 milhões entregues, em Agosto, ao presidente Miguel Diaz Canel), arrecadados no decurso de uma campanha evocativa dos 65 anos de amizade entre os dois países. O valor alcançado, assente sobretudo em muitos pequenos contributos, superou em quase 10 vezes a meta estabelecida.

Num momento em que Cuba enfrenta grandes dificuldades, motivadas pelo recrudescimento do bloqueio imposto pelos EUA (que o mundo uma vez mais condenou), os vietnamitas não esquecem que quando eles próprios sofreram a brutal agressão do imperialismo norte-americano, a ilha socialista lá esteve, solidária: Cuba foi o primeiro país a reconhecer a Frente Nacional de Libertação do Vietname do Sul, enviou médicos e enfermeiros, apoiou a reconstrução.

Desta reciprocidade se fará um mundo novo.



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