Greves gerais na Bélgica e na Grécia

A rejeição de cortes na despesa pública, do aumento da idade da reforma e de alterações para pior na legislação laboral, entre outras importantes reivindicações, estiveram na base das greves gerais realizadas recentemente na Bélgica e na Grécia.

Trabalhadores belgas e gregos defendem direitos laborais e sociais que anteriormente conquistaram

Na Bélgica, os sindicatos rejeitam os cortes na despesa pública, a limitação de importantes direitos sociais e a intenção de aumentar a idade da reforma para os 67 anos. As novas regras para o acesso e a definição do valor das reformas propostas pelo governo de direita, do primeiro-ministro Bart De Wever, conduzirão igualmente à redução das pensões futuras e a cortes nas reformas antecipadas. O governo tenciona também limitar o subsídio de desemprego, cortar no pagamento de trabalho nocturno e diminuir a protecção social na doença.

A greve geral, convocada por algumas das principais organizações representativas dos trabalhadores do país – como a Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB) e a Confederação dos Sindicatos Cristãos (CSC) –, atingiu de forma expressiva o sector dos transportes, incluindo o transporte aéreo.

No dia 14, uma grande manifestação trouxe para as ruas da capital, Bruxelas, as reivindicações dos trabalhadores. Esta não é a primeira greve geral contra o governo belga, pois já em Março tivera lugar uma paralisação semelhante. Outras acções de protesto têm vindo a ser desenvolvidas no país desde que De Wever tomou posse como primeiro-ministro, em Fevereiro.

Legislação laboral «digna da Idade Média»
Neste mesmo dia, teve também lugar na Grécia uma greve geral, centrada sobretudo na rejeição das alterações à legislação laboral proposta pelo governo de direita. Esta foi a segunda greve geral no período de duas semanas, tendo a anterior sido realizada no dia 1 de Outubro. Uma das mais polémicas alterações à legislação laboral é a possibilidade de, em algumas condições, estender a jornada de trabalho até às 13 horas, pondo em causaa jornada de oito horas. Os sindicatos referiram-se à proposta do Governo grego como sendo «digna da Idade Média».

Por mais que o Governo grego proclame que esta medida é limitada e voluntária, os sindicatos denunciam que grande parte dos trabalhadores poderá não ter condições para enfrentar a chantagem do grande patronato, dada a desequilibrada relação de poder entre patronato e trabalhadores, reforçada pela promoção da precariedade que marca a legislação e a realidade laboral no país.

A greve paralisou os transportes públicos e vários serviços e empresas. Milhares de pessoas manifestaram-se nas duas principais cidades do país, Atenas e Salónica. A paralisação realizou-se na véspera da votação parlamentar da alteração à legislação laboral, que acabaria por ser aprovada. No entanto, a luta vai continuar.

 



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