EUA ameaçam Venezuela e Colômbia
Os EUA prosseguem os ataques a pequenas embarcações no mar das Caraíbas, tendo causado já a morte de pelo menos 30 pessoas, muitas das quais pescadores oriundos de diversos países da região. Depois das acusações infundadas contra a Venezuela e o seu presidente, Nicolás Maduro, Washington estendeu as suas ameaças contra a Colômbia e o seu presidente, Gustavo Petro.
Presidente norte-americano estende ameaças e provocações contra os governos venezuelano e colombiano
O governo venezuelano rejeitou as declarações «belicistas e extravagantes» do presidente dos EUA, as quais qualificou de gravíssima violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. Nas suas afirmações, Donald Trump «admite publicamente haver autorizado operações para actuar contra a paz e a estabilidade» da República Bolivariana da Venezuela, sublinha em comunicado o Ministério do Poder Popular para as Relações Exteriores da Venezuela. Tal situação, sem precedentes, obriga a comunidade dos países a denunciar essas afirmações, de todos os pontos de vista, inconcebíveis, apelam as autoridades venezuelanas.
As autoridades venezuelanas observam com extremo alarme o inqualificável anúncio do uso da CIA, assim como o envio de forças militares dos EUA para as Caraíbas, que configuram uma aberta e descarada política de agressão, ameaça e assédio contra a Venezuela. Destacam que é evidente que estas inaceitáveis manobras de Washington procuram promover e encobrir uma operação de «mudança de regime» na Venezuela com o fim último de apropriar-se dos imensos recursos deste país sul-americano. Realçam ainda que as declarações do presidente do EUA, Trump, visam estigmatizar a migração venezuelana e latino-americana, alimentando discursos xenófobos.
Entretanto, as autoridades venezuelanas denunciaram as ameaças dos EUA contra a Venezuela perante o Conselho de Segurança da ONU, instando a que se adoptem medidas urgentes que impeçam uma escalada militar nas Caraíbas, zona declarada de paz pelos países da região desde 2014.
Medidas e ameaças contra a Colômbia
O presidente Trump anunciou que vai pôr fim a «todos os pagamentos e subsídios» dos EUA à Colômbia, decisão que constitui uma escalada na confrontação dos EUA contra este país latino-americano, presidido por Gustavo Petro. No dia 19, o presidente norte-americano insistiu no falsamente alegado “combate ao narcotráfico” para visar a soberania da Colômbia, à semelhança do que está a fazer relativamente à Venezuela.
Gustavo Petro tem vindo a denunciar as políticas belicistas dos EUA na América Latina, particularmente desde que a Casa Branca enviou, sem autorização do Congresso norte-americano, um importante contingente militar para o mar das Caraíbas, ao largo da Venezuela e levou a cabo ataques contra embarcações de pescadores.
Gustavo Petro denunciou que uma das lanchas atacadas «era colombiana, tinha o motor desligado, levantado, em sinal de avaria, presumivelmente em águas colombianas», e que «quem ali estava era um pescador que não voltou para a sua casa», identificando-o como Alexandre Carranza, pessoa sem vínculos com o narcotráfico.
Washington já tinha cancelado o visto ao presidente colombiano, por ter participado em Nova Iorque num protesto a favor da Palestina, durante a recente deslocação aos EUA para participar nas sessões da Assembleia Geral da ONU.
Quando, em Agosto, os EUA enviaram uma força militar para o largo das costas venezuelanas, Gustavo Petro alertou que se abriu «uma nova zona de guerra: as Caraíbas. (…) Não é uma guerra contra o contrabando; é uma guerra pelo petróleo e o mundo deve detê-la. A agressão é contra toda a América Latina e as Caraíbas».




