«Não vamos desistir!»

Perto das 16h30, a chegada da cabeça da manifestação aos Restauradores foi saudada do palco, com a informação de que os últimos manifestantes estavam então a começar a descer a Avenida da Liberdade. Durante a tarde, neste percurso, milhares de trabalhadores gritaram que «Não vamos desistir, o pacote é p’ra cair».

Na frente, o grupo de percussão Batucando marcou o ritmo da descida, iniciada pelas 15h30, seguido por uma grande faixa, com o lema da jornada, transportada por membros da Comissão Executiva da CGTP-IN. A toda a largura da Avenida, com muitas pessoas a assistir e a aplaudir, foram desfilando, em blocos identificados com bandeiras e faixas, a Interjovem, a FIEQUIMETAL e os seus sindicatos das indústrias transformadoras e ambiente, dos mineiros, das indústrias eléctricas; a FECTRANS e os seus sindicatos de transportes rodoviários, ferroviários e aéreos, defendendo melhor serviço público; o CESP e as trabalhadoras dos supermercados, denunciando que «Na nossa fome estão os lucros deles»; os enfermeiros e o seu SEP, os médicos com o SMZS e a FNAM, os professores e investigadores, com a FENPROF e sindicatos; trabalhadores de vários serviços da Administração Pública, do sector financeiro, da cultura e espectáculos, da arquitectura, da arqueologia; da Administração Local (onde surgia outro grupo de percussão, os Bardoada), exibindo faixas a identificar diferentes concelhos e também reivindicações.

Por melhores pensões, desfilaram a Inter-Reformados e o MURPI.

Marcharam também, em solidariedade e com argumentos próprios, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, o Movimento Democrático de Mulheres e o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, o movimento Porta-a-Porta.

Do palco, Gonçalo Paixão, a anteceder o Secretário-Geral, rejeitou o pacote laboral como «ataque directo aos jovens, aos nossos sonhos e às nossas aspirações, pretendendo transformar-nos numa força de trabalho barata, silenciada e sem direitos». «Não aceitaremos este retrocesso», assegurou o dirigente da Interjovem.

Quando se fizeram ouvir os hinos da Intersindical e Nacional, pouco passava das 17 horas, estava ainda muita gente mais acima na Avenida, até perto do monumento aos Mortos da Grande Guerra. Não viram que, por essa altura, já fora derrubado a pontapé, por dirigentes sindicais em fatos-macaco, um muro de «pacotes» montado junto do palco. Mas, como todos os que se manifestaram nesse sábado, mostraram-se determinados a não desistir e elevar a luta a novos patamares, até derrotar esta grave ofensiva.

Com a força que a jornada de dia 20 demonstrou e também com o estímulo que representou, foi essa a determinação que transportaram no regresso, ao entrarem para as dezenas de autocarros alinhados ao longo de toda a faixa descendente da Avenida da Liberdade.



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