IA, lucros, “dispensas” e outros males
Soube-se há dias que cinco multinacionais tecnológicas sediadas nos USA – Google-Alphabet, Meta-Facebook, Microsoft, Amazon e Apple – aumentaram as suas receitas descomunais e que, no segundo trimestre, obtiveram lucros-recorde, cada uma entre 16 e 24 milhares de milhões de euros. No total, estas empresas lucraram 99 mil milhões.
A notícia dizia que os números superavam “de novo” as expectativas apesar dos enormes investimentos em Inteligência Artificial (IA) – só a Google vai investir em 2025 nesta “ferramenta” 73 mil milhões de euros – e as “dispensas” não param, já em 2023 saíram cem mil trabalhadores. A hipocrisia é inútil, as tecnológicas reconhecem que saídas de pessoal e investimento em IA visam aumentar os lucros.
Por cá, soube-se que a Altice vai “libertar” este ano mil trabalhadores, 16% da força de trabalho, por “redundância com funções de IA” e para “crescer” em lucros. E vieram a público “estudos”, nem científicos nem independentes, que mais parecem operações de intimidação a quem trabalha, que dizem que as mulheres são 80% dos “descartáveis”, ou que apontam para a saída de 30% dos trabalhadores devido a mais IA e automação. É o que visa o grande capital na “revolução tecnológica”, avanço zero em condições e horários de trabalho, e na produtividade, e tudo pelo lucro máximo.
A IA está cada vez mais presente na economia e sociedade de mercado, cujas relações de produção determinam a apropriação de benefícios pelo grande capital: acumulação, concentração, opressão, exploração, desemprego, empobrecimento, alienação, militarismo e guerra.
A NSA afirma que a IA e outras tecnologias asseguram aos USA a vanguarda, mas que a China (num processo alternativo de crescimento) representa uma “ameaça” a este domínio. A IA é causa de guerra, no comando, combate, sistemas de armas, satélites, informação; é o “botão do homem morto”, que “garante a destruição da humanidade”, mesmo que já não haja quem prima o gatilho termonuclear, e está muito próxima de ser o instrumento decisor da “última guerra”.
A IA já é e será no futuro, muito útil, onde contribua para fazer avançar e qualificar a vida dos trabalhadores e dos povos, mas importa derrotar a instrumentalização imperialista para garantir uma IA humanista e um mundo de Paz.




