Nobel da Paz
Um dos temas das luminárias que procuram entender o que move Donald Trump é o do Nobel da Paz. Que tem essa ambição, e não faz outra coisa senão trabalhar para isso.
Há que reconhecer que Trump tem toda a justificação para esse objectivo. Primeiro por razões estatísticas, os EUA têm de longe o maior número de premiados: 23, dos quais quatro presidentes e um vice-presidente. Depois porque não é raro a atribuição desse prémio ter bastante menos a ver com a paz do que com a vontade de promover causas e personalidades que são do interesse EUA/NATO/UE. Nas décadas mais recentes isso tornou-se particularmente evidente, e teve um momento alto, na atribuição a um Obama acabado de entrar na Casa Branca.
Individualidades e organizações de dois países que ao longo dos 124 anos deste Nobel mais se envolveram em guerras e agressões militares e se empenharam na desestabilização e destruição de outros países (os EUA e a Grã-Bretanha) receberam nada menos que 35 prémios. 27% do total.
Sendo certo que bastantes premiados merecem consideração, o balanço geral mostra que Trump tem boas hipóteses. Não é menos que o Dalai Lama, ou Kissinger, ou Begin, ou o anticomunista e anti-soviético “Memorial”, ou a UE (“paz e reconciliação, democracia e direitos humanos na Europa”) ou outro lixo premiado. Tem vindo a esforçar-se: o apertar do cerco e mais submarinos nucleares a apontar para a Rússia; a activa cumplicidade com o genocídio em Gaza e a escalada no Médio Oriente; a frota no Caribe apontando a Venezuela, Cuba, Nicarágua; a constante actividade e provocação em África, no Pacífico e em particular no mar do sul da China. Tem todas as condições.
Há uma dívida, aliás, perante outras entidades e personagens igualmente “amantes da paz”. Não se compreende como é que a própria NATO não alimenta essa ambição. E como podem ser esquecidos Macron, Starmer, Merz, a sr.ª Von der Leyen.




